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8 de dez. de 2016

Lei do Retorno...

Essa é a parte mais engraçada de uma vida que eu não entendo...
Sabe, quando eu era uma bela vadia, que não me importava com os sentimentos alheios, não me machucava tanto.
Viver parecia mais fácil.
Respirar era mais fácil.
Hoje, os anos passaram.
Sinto o peso da velha experiência que te torna uma pessoa mais frágil, mais suscetível.
Te olho no fundo dos olhos.
Sei quando mente pra mim.
Antes, era tudo mais fácil.
Eu enfraqueci.
Antes, você era jovem, e todo o seu mundo se resumia as nossas caminhadas.
Hoje, eu te vejo mentir... tão descaradamente,
Não vou fazer nada,
Eu enfraqueci.
Cada estúpido desejo meu era realizado como se uma rainha comandasse o seu feudo.
Hoje, um simples pedido, meu Deus, quanto trabalho...
Quanto vai custar?
Quanto trabalho vai te dar?
E se chover?
E se não chover?
E se?
Pra quê?
O tempo passou,
A beleza nunca me pertenceu, o pouco que tinha minguou,
Os cabelos embranqueceram,
Os olhos fundos de quem pouco dormiu, pouco viveu e muito lutou,
Tem uma sombra permanente sob o olhar.
Eu enfraqueci.
Eu só queria ver as luzes de Natal.
Não era tão difícil assim.
Ou era?
Aí a gente conclui,
Quando eu era aquela bela vadia, todos se ajoelhavam aos meus pés.
Hoje, nem eu mesma de joelhos tenho pequenos pedidos atendidos.
Eu enfraqueci.
Bem feito pra mim,
Para eu aprender,
Que a lei do retorno é mais forte que tudo,
Mais forte que eu,
Mais cruel que você.

Kelly Christine.



5 de set. de 2016

O que fazer?

E o que fazer?
Quando o coração acelera,
Pedir para parar de bater?
Um olhar que tudo entrega,
Um sentimento que não posso corresponder,
Sonhos quebrados,
Se juntam tão tristes,
Não adianta querer.
Para onde foi aquela alegria?
Ações povoadas de emoção,
Lágrimas se escondem contidas,
No fundo de uma canção.
É a vida ensinando, de novo,
Que tudo se deve à razão,
De ter a alma ferida,
Fingindo não ter coração.
Sorrindo, com vontade de chorar,
Calada, com vontade de gritar,
O que fazer quando você sente o que não deve sentir?
Deixar me levar,
Ou fugir?
O que fazer?
Quando todas as pessoas que posso estar, não são você?
O que fazer?
Quando as palavras não têm mais sentido,
Quando precisar de mais do que um ombro amigo,
O que fazer?
Quando você é obrigada a aceitar,
O destino decidir por você,
Tanta coisa para falar,
Nada por merecer.
Fingir que eu não sou eu,
Ou você não é você?
O que fazer?

Kelly Christine






24 de mar. de 2014

Desistência...

E já que tu foste embora,
Pra nunca mais voltar.
E levou meu sorriso contigo,
Podia também levar minha vida.
Não tenho mais interesse em ficar.
E é bem isso que a vida se tornou,
Imensidão.
Um deserto inerte, um vazio pleno,
Um resto de coração.
Tranquei o que eu tinha de mais bonito no peito,
Sem a intenção de revelar,
Que ainda havia tanta coisa a viver
E que agora nada iria adiantar.
Não posso mais mentir pra mim.
É o seu amor que me faz bem,
É com você e só com você me sinto feliz.
E lá vem a vida, me tratando com desdém.
E lá vem a vida, desejando o meu fim.
Eu não tive opções,
Eu não escolhi chorar,
Não quero perder o único amor,
Que no chão me fez viajar,
Que me ensinou a dor,
Que me ensinou a amar,
Mas o destino é cruel,
E não se importa com sua vida lá fora,
Já que tu foste embora,
Pra nunca mais voltar.
E levou meu sorriso contigo,
Podia também levar minha vida.
Não tenho mais interesse em ficar.

Kelly Christine


31 de out. de 2013

Destino inexorável.

Passei tanto tempo da minha vida me sustentando sozinha,
Que nem sei mais como é desabafar com alguém.
Me levantando só, quando o mundo me derruba,
Me apoiando somente na minha fé,
Arrumando forças de dentro, somente de dentro.
Tantas coisas aconteceram em tão pouco tempo, que parece que vivi uma outra vida.
Ou talvez aquela realidade só existisse na minha cabeça.
Mesmo depois que o tempo passou, as lembranças dele são fortes.
Tão fortes que não se desprendem de mim, nem quando eu quero pensar em outra coisa.
Mas sei que, fatalmente, isso jamais será mútuo.
E que seus pensamentos, neste momento, pertencem a outras prioridades.
Nada melhor do que pertencer a si mesmo.
Hoje, hoje mesmo, seria um dia especial.
O dia dos sorrisos, de se fazer presente, de transformar sonhos em realidade.
Mas eu fui formalmente “desconvidada” para partilhar essa alegria.
Eu, na verdade, não sou mais bem vinda a partilhar nada.
Quando me lembro daquelas palavras que ouvi,
Das mensagens que eu li,
Acho difícil acreditar que vinham da mesma pessoa.
Mas era.
Sinto as lágrimas correndo pelo rosto marcado em tristeza.
Essa dor que sinto é bastante verdadeira. E silenciosa.
As fotos, os sorrisos,
Memórias.
Que vida foi aquela que eu vivi?
E tão de repente,
A verdade virou mentira,
Os sonhos viraram frustrações,
E os problemas viraram limitações.
O que era forte, enfraqueceu,
E quem estava lá, para juntar os cacos quando tudo acabou, fui somente eu.
Parece que foi ontem,
Parece que foi há dez anos atrás.
Os deuses jogam dados e somos meros peões em seu tabuleiro.
Lembrei de um livro que estou lendo,
Que fala que nosso destino é controlado por três fiandeiras,
Que tecem os fios dourados de nossa vida, fios dourados de nossa história embaixo da árvore da vida.
O destino é mesmo inexorável.
Eu que tinha encontrado meu caminho,
Estava escrevendo minha própria história,
Terminei aqui com páginas em branco e solidão.
A confiança quebrada,
Os sonhos despedaçados,
Os sentimentos banalizados, sendo apenas complemento da virtude racional.
Quantos erros meus.
Eu, tola, procurava um ponto de equilíbrio,
Onde havia duas metades de algo que pensei, se completavam,
Mas aprendi que, essas duas metades, só se destroem.
Só eu não via... Só eu não via.
Hoje só existem as folhas manchadas pelos pontos úmidos.
Vejo o céu escuro da minha janela,
Vem tempestade,
São os deuses que festejam mais uma jogada,
E as fiandeiras continuam tecendo.
Há um vazio em mim impossível de ser completado,
Mas preciso seguir,
E os deuses jogam dados.
Nem tudo que me espera será sempre assim,
Nem tudo será dor e sofrimento para sempre,
Então preciso continuar seguindo.
Eu me permito chorar, porque ainda existe muita coisa em mim,
Deixo as lágrimas silenciosas correrem como um rio que precisa seguir,
Lágrimas que nada imploram, nada pedem,
Apenas aliviam.
Onde será que os fios dourados das fiandeiras me levarão agora?
As lições foram aprendidas,
Mas a estrada ainda não foi vencida.
Me levanto só, mais uma vez.
A força de dentro, somente de dentro, que me acompanha.
A fé guerreira que jamais me deixou no chão,
Me consola que amanhã tudo poderá ser diferente,
Os deuses continuam jogando dados,
E eu continuo seguindo.


Kelly Christine