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11 de nov. de 2013

Questionando...

E onde Ele estava esse tempo todo?
Uma criança de três anos, brutalmente assassinada pelos próprios pais,
Um país inteiro, um dos mais pobres do mundo, assolado permanentemente pela guerra civil, destruído pela catástrofe natural de um tufão.
O pai trabalhador honesto, que depois de uma longa jornada de trabalho durante toda noite, volta para o seu lar pobre e encontra uma bala na cabeça, tirando o único sustento daquela família.
E onde Ele estava?
A mulher que diariamente e fervorosamente reza para que o marido se recupere,
Do câncer que o consome e o definha dia após dia, noite após noite, sem trégua, sem alívio.
A criança, cheia de esperança, corre descalça pelas vielas entre palafitas, pensando pequena que os seus sonhos de Natal se realizarão esse ano.
Mas nada mudará, e seus pais e mais 06 irmãos mais velhos sabem disso.
E onde Ele estava?
Mas é imposto, sempre imposto.
Seja honesto, trabalhe, ganhe o pão com suor do seu rosto.
Não minta, não roube, não peque.
Senão a punição é o fogo do inferno, é a morte dolorosa.
Desculpa, mas já não conhecemos dor o suficiente?
Continuaremos pagando por pecados que não cometemos?
Continuaremos vendo as pessoas que, realmente mereciam punição divina, permanecendo impunes?
Continuaremos vendo todos aqueles que fazem tudo errado e sempre se dão bem, de uma maneira ou de outra?
Que explicação dar a um filho que questiona onde está a justiça?
Como calar uma criança que chora de fome e não há pão em nenhum lugar?
Vemos um mundo se destruindo, o mesmo mundo que todos usam a fé como desculpa para enriquecer e punir.
E diante de tantas tragédias, anunciadas ou não,
Fica aquela pergunta, de quem teve a criação cristã, ameaçada com o inferno durante toda a vida:
Tanta coisa está acontecendo,
Tanta coisa aconteceu,
E onde Ele estava esse tempo todo?


Kelly Christine

21 de mai. de 2012

Antes do meu coração silenciar...


Ei... Me deixa eu te contar.
O quanto é difícil eu fingir,
Que todo o dia vai melhorar,
E que eu vou voltar a sorrir.
Ei... Me escuta agora,
Vejo meus sonhos completamente cercados
Por tantas incertezas, arames farpados
Que desconhecem o que há lá fora.
Ei.. É muito fácil você falar de fé,
Hipocrisia de quem mal acredita
Nos motivos que o mantém em pé
E deixam palavras vazias mais bonitas.
Ei... Que tanto amor foi esse que passou?
Apenas pequenas paixões,
Nada verdadeiro ficou,
Além de lembranças despedaçadas nos corações.
Ei... Como é ter esperança?
De quem nada espera,
Tem o sofrimento como herança,
Almeja a beleza da flor, sem conhecer a primavera?
Ei... É tão difícil assim?
Retribuir o carinho,
Gostar de quem gosta de mim,
Por que coração, sempre sozinho?
Ei... Decidi os olhos fechar,
Pensamentos correm soltos,
Deixa a ilusão vivenciar,
Sentimentos e mar revolto,
Deixa teu sonho gritar,
Antes que os olhos se fechem de sono...
...Antes do coração, para sempre silenciar.

Kelly Christine

22 de jul. de 2011

Do Lado de Fora...

Eu precisei ser mãe para aprender o que era conceito de família. Vir de um núcleo desestruturado, sem alicerces nem afeto, me fez ser uma pessoa diferente em todos os sentidos, comportamental e emocional.
Às vezes me sinto uma péssima mãe.
Nunca me senti filha.
Travando lutas homéricas contra mim mesma, eu procurei seguir um caminho diferente do que os meus pais pregavam. Procurava no conforto dos amigos ou de algum namorado, o carinho e a atenção que eu não tinha em casa. Procurava me comprometer ao extremo, ser fiel, atenciosa, enfim, tudo o que eu jamais tinha aprendido dentro de casa, as pessoas me ensinavam fora dela. Me ensinavam o que era o carinho, o amor e também o que era a dor, a rejeição e a repulsa. Os dois lados da moeda eram mostrados, dois caminhos a serem seguidos. Restava-me saber qual lado eu gostaria de estar.
Escolhi o lado do afeto, por motivos óbvios. Só não sabia que seria o lado mais difícil de ser seguido.
Cheguei a um ponto da minha jornada que simplesmente não sei para onde e nem PORQUE tenho que seguir. Foram tantas decepções amorosas, tanta dor a troco de nada. A falta da liberdade, o excesso da frieza. Os amigos antes tão raros, agora completamente escassos. O que me liga ao mundo hoje é um teclado QWERTY e um monitor de 17 polegadas.
Isso não é vida.
Não ver sentido nas coisas, sentimentos nas pessoas nem razões para seguir é uma constante para mim nesses dias. Ver o meu filho e saber que o futuro dele depende do meu é um tanto desesperador. Saber que o dia de hoje foi idêntico ao de ontem e dificilmente será diferente do de amanhã também é.
Por que as coisas precisam ser tão difíceis?
Por que eu preciso aprender sobre a dor se já a conheço tão bem?
Por que é preciso sofrimento e lágrimas para realizar sonhos?
Por que ainda insisto em sonhar?
Milhares de perguntas bombardeiam minha cabeça, esperando inutilmente pela resposta. Acredito que morrerei e não conseguirei responder nem metade delas.
A realidade me agride e a virtualidade não me consola.
Ainda existe saída?
Enquanto houver uma lágrima, haverá sempre uma esperança.

Que venha o pranto então.

Kelly Christine

18 de nov. de 2010

Sobre deficiência, debilidade e FÉ.

Esse texto é dedicado as pessoas que possuem tantas dúvidas quanto eu, mas não deixa de ter a fé minúscula, porém que move montanhas. Às vezes, essa fé também se questiona. O ocorrido comigo ontem, toca num tema delicado, e a minha opinião retrata apenas o que penso e acho não que seja a correta, mas a que eu acredito que seja. Mais um capítulo da novela da vida real.

Ontem saindo do trabalho, aciono o botão do elevador para descer e ir para casa (existem 03 elevadores e eu trabalho no 08º andar de um edifício comercial). Quando este para no meu andar e abre as portas, vejo um senhor numa bengala se espremendo num canto, uma jovem aparentando seus 20 e poucos anos e uma garota, numa cadeira de rodas. O elevador não é tão grande, a jovem puxou a cadeira da garota, deixando-a rente a parede do elevador, criando um desconforto para aqueles 03 passageiros. Agradeci o trabalho e preferi tomar o próximo. Realmente não seria tão demorado esperar mais 02 ou 03 minutos pelo próximo elevador e deixar aquele trio fazer a sua curta viagem com o mínimo de conforto, eu esperaria, não haveria problemas com isso Eles agradeceram e seguiram a viagem, acionando o botão de térreo mais uma vez. Situação cotidiana, o amigo leitor acha, se não fosse por um detalhe: a garota na cadeira de rodas. Quando fitei o seu semblante, identifiquei na hora: não se tratava só de uma deficiência física naquele ser pequeno, de alto dos seus 07 ou 08 anos, com certeza havia aí uma paralisia cerebral, essa deficiência que deixa as pessoas vivendo um mundo a parte do nosso.
Esperei pacientemente o outro elevador, e quando este chegou ao meu andar, recostei em sua parede, mp3 nos ouvidos, meditei: porque existem seres assim? Por que existem pessoas assim? Por que permitimos que pessoas vivessem, às vezes com tantas limitações que chegam ao estado vegetativo, às vezes, num mundo tão a parte que simplesmente ignoram a nossa existência, Por quê? Aí chega o ‘X’ da questão: “POR QUE DEUS PERMITE QUE PESSOAS ASSIM EXISTAM?”
Você deve estar se perguntando (como eu me perguntei) de tantas coisas: acidentes que removem as pernas de um atleta ou o braço de um pianista, quando não lhe tiram a vida. Crianças lindas, cujos pais tiveram tantas decepções, tanto trabalho e um alto custo com inseminações, tratamentos de fertilizações, para no final das contas herdarem uma doença genética causadora de uma debilidade mental ou física. Onde termina a responsabilidade humana sobre esse mal (se é que podemos considerá-lo assim) e começa a responsabilidade Divina nisso? Será que Ele estaria testando nossa fé, nossa capacidade de cuidar de pessoas assim, que exigem atenção, carinho e afeto redobrado?
Durante a minha curta viagem de elevador, pude pensar nessas perguntas principalmente, tentando entender o que poderia causar, e qual seria a relação entre esses acontecimentos e a nossa fé. Algum castigo numa vida anterior? Na atual? Seria REALMENTE um castigo? Se na natureza não vemos esse tipo de problema acontecer (não pelo menos do jeito que conhecemos), por que entre os humanos isso ocorre? Ao chegar ao andar térreo, ainda pude contemplar o trio ao qual tinha falado há pouco. A garota na cadeira de rodas, paralela à conversa que a mãe (acredito que a jovem seja mãe da garota) tinha com o porteiro do edifício e o senhor na sua bengala (que acredito que seja pai da jovem, devido às suas semelhanças físicas). Era uma conversa animada de final de expediente. Despedi-me deles com um educado ‘boa noite’ e segui o meu caminho para o ponto de ônibus. Mais um dia de trabalho havia sido concluído. No ponto, me dei por satisfeita pelo menos em algumas das minhas questões: ao sair do edifício a garota me olhou e da sua maneira esboçou um sorriso, de leve, de acordo com que podia permitir as suas limitações. Aquele sorriso pra mim, respondeu uma parte de minhas perguntas: não importa de que maneira uma pessoa chegue até você. O que importa é como você será capaz de amá-la. Talvez esse seja o grande desafio: amar até aqueles que seus olhos e sua cultura dizem que não merecem ou não podem. Obrigado Senhor, às vezes julgamos as pessoas pelo que parecem. Esquecemos de olhar seus corações e descobrirem como verdadeiramente são. Mas ainda fiquei com perguntas. Guie-me até as respostas certas.

Kelly Christine.