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11 de jan. de 2017

"Pretinha..."

Algo não estava certo.
Eu não me sentia dali.
Estava desconectada, implantada em um lugar que não me pertencia.
Suportaria qualquer coisa por um sorriso seu,
Mas e se o preço fosse simplesmente deixar de ser eu?
O problema é quantos anos eu tenho,
A cor da minha pele,
A minha morada,
As posses que não possuo.
Não sou “classe média”.
Sou suburbana, periferia, com muito orgulho.
Choro sozinha, com vergonha de mim,
Nunca precisei fingir ser o que não sou,
Moro na favela,
Me orgulho da minha cor,
Meu caráter foi criado nas paredes de um quarto apertado,
Do conjunto habitacional,
Que você tem medo de estar.
Vejo as fotos,
E me sinto destonada,
Eu não combino com nada,
Por que estou aqui afinal?
Um silêncio cheio de lágrimas me invade,
Os únicos apelidos com carinho vêm relacionados ao negro,
Eu não ligo... ligo?
E o que eu sou se resume a isso?
O que eu sou pra você afinal?
Qual a importância da mãe solteira,
Parda,
Pobre,
Sem ensino superior,
Moradora da favela?
É isso que você vê?
É isso que os outros vêm?


Kelly Christine



16 de dez. de 2015

Um futuro sem amanhã...

Todo adeus dói.
Como pode não doer?
Você deixa pra trás tudo aquilo que um dia acreditou,
Poderia ser seu.
Queria poder explicar, porque temos que deixar,
Porque somos deixados,
Porque, alguns de nós, nasceram incompletos.
Como queria poder modificar esse olhar,
Que encara o espelho com uma expressão vazia,
E tenta colocar no rosto um sorriso que não condiz com a sua alma.
Vejo as luzes de Natal na madrugada,
Piscando, piscando,
Pequenas estrelas artificiais penduradas à janela.
Seu brilho aparece turvo,
Embaçado pelas lágrimas silenciosas correndo pelo rosto.
Não acredito mais.
Tantas idas e vindas,
Quantos pedaços partidos,
Cansaço e solidão.
Não quero mais o que não posso carregar,
Um fardo pesado demais para mim,
Um fantasma vivente.
Nem mesmo o silêncio quis minha companhia,
Nem mesmo ele, que por tanto tempo esteve ao meu lado.
Não sou prioridade,
Nem mesmo opção.
Não serei a primeira,
Dificilmente serei a última.
Até quando terei que assistir os meus sonhos morrerem?
Uma imaginação impossível,
Pequenas imagens girando na minha cabeça,
Improváveis de acontecer um dia.
Os desejos que arranham,
O coração calado, quebrado, fragilizado,
Mal conseguiu dormir.
Pensamentos sombrios que rondam,
Um futuro sem amanhã,
De uma pessoa como eu,
Que analisa o que não pode se ver,
É reprovada em sua maneira de viver.
Agora aguenta,
A mulher com o espírito de menina,
Que vê a alma envelhecer solitária,
Ansiando por companhia.
Suporta!
Engole o choro, e aceita o que não te pertence,
Diga adeus, não olhe para trás.
Nada te espera lá.
Não há nada para você.
Aquele coração é dono de si mesmo.
E tem outra pessoa como morada.
Não existe nada nesse mundo que possa mudar isso,
Nem mesmo vontade,
Nem mesmo trabalho.
Há apenas a distância,
Que os quilômetros separam,
Que os olhos não creem.
Aceita,
Que certas pessoas como você,
Foram feitas para não pertencerem a ninguém,
E permanecerão assim... Incompletas.
Por toda vida.

Kelly Christine

28 de jul. de 2014

Viver Assim...

E então se vive assim,
Obrigada a se reprimir,
Se policiando,
Se monitorando,
Representando um papel e estampando uma cara de paisagem que não tem fundamento.
Onde vamos parar?
Seres idiotizados,
Padronizados como a sociedade dita
Coisas sem fundamento então pregadas como verdades,
Verdades ignoradas como coisas sem fundamento.
E lá vou eu vivendo assim.
A esperança é o sentimento mudo,
De um mundo pra lá de absurdo,
Que se dissipa como névoa num dia de verão.
Acalme o seu coração,
Mantenha-o em silêncio,
Deixe-o vazio,
E perceba que o melhor a se fazer
É deixar a vida correr,
Assistindo o que não pode ser mudado,
Mudando o que lhe for ordenado,
E se tornando exatamente aquilo que você deve ser:
O que a sociedade querer.


Kelly Christine

16 de jan. de 2014

Não foi feito pra mim...

E eu fico pensando nas hipocrisias da vida,
De quando as pessoas sorriem falsamente pra mim,
De quanto aquele sujeito que mal me cumprimentava na rua,
Vai dizer tantas coisas no meu funeral.
Por que as pessoas são assim?
Esquecem quem um dia já as fez tão felizes,
Se lembram, quando a gente já partiu.
Economizam em sentimentos que deveriam esbanjar,
Esbanjam dores que nem deveriam existir.
Uma dor grande no meu peito denuncia o erro:
Não falar a ninguém como me sinto tem me definhado lentamente.
Não é uma escolha propriamente dita.
Quem teria me entendido?
Quem iria se dispor a me entender?
Eu quero falar de amor, eu quero falar de mim,
Falar dos meus erros, das minhas fraquezas,
Quero explicar porque o céu azul me encanta e as tempestades me assustam.
Eu quero amar incondicionalmente, me doar para sempre, sorrir sem medidas,
Fazer meu próprio filme de Hollywood, ter o meu conto da Disney,
Mas a realidade é outra. A verdade confortável nunca existiu.
O que existe é a verdade. E o que ela me diz é muito simples de entender:
Apesar de amar o amor,
Ele não foi feito pra mim.


Kelly Christine.

22 de abr. de 2013

Minhas Músicas Preciosas...[23]


É...

Meu amigo leitor...
Eu deixo as músicas falarem sempre e toda vida por mim.
E continuarão falando, mas como foi visto no texto anterior, não será por muito tempo.
Adiante...
Esta música em especial surgiu da necessidade de me exprimir além das palavras.
Música é uma expressão da alma. Senti imenso orgulho de aprender estas e outras coisas com alguém que não existe mais.
Que a vida tenha piedade de mim e não protele a minha dor,
Porque as minhas asas... ela já quebrou.


19 de abr. de 2013

Resignação.


Quando você vê tantas situações mudando a sua essência, você também não se pergunta: será que o erro foi realmente meu?
Foi.
Nada do que eu fale fará diferença agora.
Só Deus sabe o quanto doeu ler e ouvir tudo aquilo. Uma voz repetida ecoando dentro da minha cabeça.
O coração fora do corpo.
Eu tento segurar um choro preso na minha garganta. Uma luta de grande bravura, digna de narrativas medievais.
E eu me defendendo de mim mesma.
Perdi o sono, perdi a noite.
Perdi bem mais do que isso, mas agora era uma causa irremediável.
Vejo por entre meus dedos todas as palavras que tentei dizer,
Todos os desejos que eu tentei fazer,
Todos os sentimentos que eu tentei manter.
Tudo se esvaindo. Um grão de nada, foi tudo o que restou.
E ainda tenho que manter o papel.
O sorriso no rosto como se nada estivesse acontecendo.
A pergunta que alguns fazem “tá tudo bem?” respondida com uma mentira: “sim, está.”
O silêncio que se faz cada vez mais presente e cada vez mais frequente.
As chagas da alma surgem pelo corpo, vez ou outra.
Eu não as evito mais.
Não queria terminar a vida sem antes ter realizado os pequenos sonhos que me levavam ao sorriso fácil.
Mas não questionarei o destino se ele fizer a gentileza de me tirar de cena para sempre.
Questionar é algo que não tenho feito mais.
Nem as pessoas,
Nem a mim.
Muito menos a vida.
Tudo que está acontecendo agora, foi movido por alguma razão.
E essa razão derivou de uma escolha feita antes.
Questionar depois da decisão tomada é o mesmo que assoprar depois do arranhão ferido.
Pode aliviar momentaneamente, mas não muda a dor.
Se a dor não pode ser mudada, aceite-a. E aprenda a conviver com ela.
Os olhos refletidos no espelho conotam uma sombra que não via há muito.
Os sulcos mais profundos, a profundidade do olhar mais triste.
Os olhos, janelas da alma.
Se me olhassem bem no fundo, sem a curiosidade, apenas a preocupação, perceberiam o que há em mim.
Ou melhor, o que falta em mim.
A ausência de tudo que se esvaiu, um vazio que nem muitas coisas juntas, mesmo sem se encaixar, não preenchem.
Eu não desisti de tudo.
O tudo desistiu de mim primeiro.
Não é que eu não queira lutar.
Só não há mais o porquê da luta.
Eu e a minha incapacidade de me por no lugar das outras pessoas.
Isso explica tudo.
Eu antes fazia as pessoas o que eu queria que elas fizessem por mim.
Percebo que sempre acreditei fazer o certo. Mas esse certo não era suficiente.
Uma pessoa pequena pode se sentir grande quando humilha um alguém maior em tamanho.
Eu só não queria ser essa pessoa maior.
Porque eu não me lembro de ter feito nada semelhante.
Mas sim, devo ter feito.
Afinal, eu não cresci neste aspecto.
Pensando dessa forma, eu só cresci em um único aspecto.
O de manter cada vez mais em silêncio.
Quanto maior for a dor.
Depois de tantos adjetivos negativos que venho recebendo, tenho procurado mudar minha postura.
O que antes fazia as pessoas sorrirem, hoje faz elas pensar.
Toda a filosofia fala que devemos mudar o que nos incomoda.
Nem sempre isso é possível, principalmente quando envolve outras pessoas além de você.
De uma coisa é certa.
Não responsabilizo o destino pela minha incompetência e pelos meus fracassos.
Só aceito.
Palavra de ordem: resignação.

Kelly Christine