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14 de mar. de 2017

Guardei pra mim...

Guardei pra mim.
Aquela lágrima silenciosa que escorreu pela minha alma,
Quando a ansiedade da espera
Foi substituída pela decepção do encontro,
Quando o olhar que deveria ser doce, era recriminatório.
Guardei pra mim.
Todas as palavras que queria ter dito,
Todas as declarações doces que queria ter falado,
Todo o sentimento puro que queria ter demonstrado,
Guardei pra mim.
Pois eu gerei tantas expectativas sobre sonhos de papel,
Imaginei tantas coisas que nunca sairão de minha mente,
Realizei tantos feitos,
Que deixariam qualquer conto de fadas a desejar,
E tudo isso... Guardei pra mim.
Pois vaguei a vida inteira de coração em coração,
Procurando por morada,
Encontrando decepção,
Até pensar que finalmente o porto seguro tinha surgido no horizonte...
Mais uma vez, ilusão.
Guardei pra mim,
Continuo pisando em ovos para poder ser verdadeira,
Palavras mal interpretadas,
Destino sem eira nem beira,
Até quando terei que procurar?
Quando irá acabar, esse queira ou não queira,
Duas doses de paciência,
Uma tonelada de besteiras,
Guardei pra mim,
A vontade de estar dividindo,
Um futuro, um presente, um desejo,
O pedido e o ‘sim’,
Tudo aquilo de mais bonito,
Que imaginei assim,
Mais uma decepção quebrada,
Mais uma ilusão formada,
De um sonho que se dissipa,
Que eu guardei pra mim.


Kelly Christine

17 de dez. de 2016

De todos os sorrisos...

De todos os sorrisos desse mundo,
Por que fui escolher justamente o seu?
De todos os abraços que queria em volta de mim,
Por que logo o seu?
Para que viver mais uma mentira,
Para que acreditar?
Distante, tão alto, sonhando acordada,
Cair... e não levantar.
Eu evitei com todas as forças que pude,
Expor o meu coração,
Pequeno, triste a miúde,
Escondi em vão.
As pilhas de livros num canto qualquer,
Revelam os sonhos do coração de uma menina,
Preso no corpo de uma mulher,
Que aos poucos, se acaba e definha.
Em silêncio como sempre,
De repente, por muito tempo segurei,
Não deu mais,
A lágrima escorre teimosa pelo rosto,
Muitas outras vem atrás.
E o choro contido de quem foi forte enquanto deu,
Lutou, sangrou, caiu e perdeu,
A batalha de um coração remendado,
Ferido, aos pedaços e sempre deixado de lado,
O sorriso de quem, calada, engole uma vez mais,
A tristeza de ser deixada pra trás.
Então, meu amigo, boa sorte,
Só o melhor eu te desejarei,
Que a vida te mantenha forte,
E deixe as flores que no teu caminho depositei,
Que todos te tratem bem,
Que cuidem de ti, como eu cuidei.
Só não esqueça de uma coisa:
Fiz o melhor que pude,
E dei o melhor de mim, 
Para conhecer por tuas mãos,
O meu fim.
Choro agora ao me lembrar,
De todas as coisas, simples, que eu pude te mostrar.
Mas a vida é mesmo assim,
A realidade vem, e te avisa:
Você é mais uma qualquer,
Não tem nenhuma importância,
Uma única diferença sequer.
Encara as coisas de frente,
É o que precisa fazer, não o que você quer,
Olhando pela janela,
Não quero aceitar,
Que essa face verdadeira,
É a que deveria reinar,
Um pranto que não pára,
Um grito que se cala,
Lembra ao meu coração, que escuto ruir:
Entre os meus dedos escorre a dor,
Felicidade já não sei.
De todos os sorrisos que conheci,
O seu foi o que eu mais amei.


Kelly Christine

31 de jul. de 2016

Para onde vão os nossos sonhos?

Para onde vão os sonhos?
Para onde vão?
Depois de abrir os olhos,
Nossos desejos mais íntimos,
Nossa canção.
Para onde vai tudo aquilo que queríamos perto?
E ficou ao longe,
Para onde vão?
Onde estão as lágrimas?
Onde está a voz?
Que calou quando queria falar,
Que acalmou o sentimento feroz.
Cadê os sorrisos?
Cadê a atenção?
As promessas feitas no olhar,
O juramento são.
Para onde foi aquele sonho?
Aquela ilusão,
Da família do comercial,
Da imagem do cartão.
Se perdeu na noite escura e fria,
Se perdeu.
Quebrando em pedaços a certeza,
Deixando a alma vazia,
E doeu.
As palavras correndo linhas,
A tinta que marca.
Todos os amigos um dia me deixaram,
Partiram o coração.
O amor há muito virou pó,
No meio da escuridão.
E hoje, sozinha, me pergunto:
Para onde vão os nossos sonhos,
Para onde vão?


Kelly Christine

16 de dez. de 2015

Um futuro sem amanhã...

Todo adeus dói.
Como pode não doer?
Você deixa pra trás tudo aquilo que um dia acreditou,
Poderia ser seu.
Queria poder explicar, porque temos que deixar,
Porque somos deixados,
Porque, alguns de nós, nasceram incompletos.
Como queria poder modificar esse olhar,
Que encara o espelho com uma expressão vazia,
E tenta colocar no rosto um sorriso que não condiz com a sua alma.
Vejo as luzes de Natal na madrugada,
Piscando, piscando,
Pequenas estrelas artificiais penduradas à janela.
Seu brilho aparece turvo,
Embaçado pelas lágrimas silenciosas correndo pelo rosto.
Não acredito mais.
Tantas idas e vindas,
Quantos pedaços partidos,
Cansaço e solidão.
Não quero mais o que não posso carregar,
Um fardo pesado demais para mim,
Um fantasma vivente.
Nem mesmo o silêncio quis minha companhia,
Nem mesmo ele, que por tanto tempo esteve ao meu lado.
Não sou prioridade,
Nem mesmo opção.
Não serei a primeira,
Dificilmente serei a última.
Até quando terei que assistir os meus sonhos morrerem?
Uma imaginação impossível,
Pequenas imagens girando na minha cabeça,
Improváveis de acontecer um dia.
Os desejos que arranham,
O coração calado, quebrado, fragilizado,
Mal conseguiu dormir.
Pensamentos sombrios que rondam,
Um futuro sem amanhã,
De uma pessoa como eu,
Que analisa o que não pode se ver,
É reprovada em sua maneira de viver.
Agora aguenta,
A mulher com o espírito de menina,
Que vê a alma envelhecer solitária,
Ansiando por companhia.
Suporta!
Engole o choro, e aceita o que não te pertence,
Diga adeus, não olhe para trás.
Nada te espera lá.
Não há nada para você.
Aquele coração é dono de si mesmo.
E tem outra pessoa como morada.
Não existe nada nesse mundo que possa mudar isso,
Nem mesmo vontade,
Nem mesmo trabalho.
Há apenas a distância,
Que os quilômetros separam,
Que os olhos não creem.
Aceita,
Que certas pessoas como você,
Foram feitas para não pertencerem a ninguém,
E permanecerão assim... Incompletas.
Por toda vida.

Kelly Christine

30 de nov. de 2015

Portas Fechadas...

Faz muito tempo que deixei esse lugar.
Vejo a poeira esbranquiçando os móveis,
Muitas de minhas lembranças espalhadas pelo vento.
Como deixei isso acontecer?
Falar que é só tristeza é simplificar demais,
Falar que é só silêncio é justificar o injustificável,
Como explico o que eu sinto então?
Ainda perduram aquelas memórias vivas,
Que fizeram cicatrizes abertas em mim,
Parecem sentimentos distantes, vagos,
Mas ainda existem.
Eu me perdi num olhar ao longe,
Penso que seria melhor começar mais uma vez,
Mas como iniciar o que não tem mais ponto de partida?
O coração não está mais partido,
O tempo juntou pacientemente cada pedaço,
Solidificou o que pensei que não havia mais conserto,
Mas deixou danos colaterais.
O que está estruturado, também permanece fechado,
Não me permito chorar,
Não me permito amar,
Pois não há mais espaço para isso em mim.
Os sentimentos abundantes se tornaram rarefeitos,
As emoções coloridas, se tornaram uma vida em escala de cinza,
Onde você pode até entrar,
Mas não perceberei quando você for sair,
Porque não importa mais.
Não importa mais quem entra (se conseguir entrar),
Não importa mais quem sai (se há ainda alguém para sair),
O mundo continuará girando,
Independente de você estar infeliz ou não.
A poeira espalhada pelos móveis,
Lembra que também em mim,
Há um lugar onde tudo era bonito,
E alguém chamava de lar,
Hoje, pó e esquecimento,
De portas fechadas,
Para quem quiser entrar.


Kelly Christine

28 de out. de 2014

A escolha que não fiz...

Apesar de tanto tempo ter se passado,
Ainda tem sido muito difícil lidar com as memórias.
Quando coração enxerga algo que não existe mais,
Quando se recusa a aceitar o final,
Quando não entende a certeza de um adeus.
As promessas quebradas ficaram pelo caminho,
O futuro planejado foi deixado para trás.
As lágrimas, até então escondidas, se mostram a quem quiser ver.
Aceitei as consequências de escolhas que não fiz,
Me calei diante da injustiça,
Perdoei até mesmo o que parecia imperdoável.
Não me sinto feliz, me conformei com isso.
O amor terminou, me conformei com isso.
Aquele sorriso bonito não vai mais voltar, me conformei com isso.
Existe agora outro alguém, me conformei com isso.
Mas o coração com nada se conformou.
Fica me torturando, dia após dia, com lembranças que eu quero esquecer,
Momentos que não quero mais viver,
Cenas que não desejo mais ver.
Agora, aqui, percebo o quanto o destino prega peças,
A vida quer te fortalecer te enfraquecendo,
Quer que você seja feliz, mas chore muito até chegar lá.
Tudo tem que ser pela dor primeiro?
E o coração continua não aceitar,
Que o amor incondicional e infinito,
Um dia iria acabar.


Kelly Christine,

25 de jun. de 2014

Exaurida...

A palavra é: cansada.
Da insistência onde não há mais motivos de insistir,
Do amor não correspondido,
Do olhar gélido,
Da ausência de palavras,
Das lembranças ingratas,
Do coração ferido,
Da alma vazia,
Da vida.
Cansada.
De tudo junto e de nada ao mesmo tempo.
Cansada de estar cansada.
Do sofrimento,
Da melancolia,
Da solidão.
Da vontade de falar contida,
De não ter com quem conversar,
De não ter com quem dividir tudo.
Do que me tornei.
Cansada.
De ver toda minha energia concentrada em alguém que não faria o mesmo por mim,
De perceber que para as pessoas, todos são substituíveis,
De tentar deixar o passado lá atrás,
E ver que o presente não é tão diferente assim.
Não ter esperanças para o futuro.
Cansada.
De insistir em um relacionamento que não tem o que preencher.
De fazer o que todos querem,
De me manter em silêncio quando quero gritar,
De me tornar um fantasma dentro de mim mesma,
De ser infeliz.
Das lágrimas correrem.
Cansada.
De ter que me refugiar nas músicas para não enlouquecer,
De não ter onde buscar ajuda,
De ter que fingir que está tudo bem,
De rir imensuravelmente pra fingir o que não sinto,
De representar um papel de quem não sou,
De ser prisioneira da sociedade,
De buscar a paz.
Cansada.
Não, não é a vida que tem me cansado.
Eu é que estou cansada.
Cansada de viver.

Kelly Christine


24 de mar. de 2014

Desistência...

E já que tu foste embora,
Pra nunca mais voltar.
E levou meu sorriso contigo,
Podia também levar minha vida.
Não tenho mais interesse em ficar.
E é bem isso que a vida se tornou,
Imensidão.
Um deserto inerte, um vazio pleno,
Um resto de coração.
Tranquei o que eu tinha de mais bonito no peito,
Sem a intenção de revelar,
Que ainda havia tanta coisa a viver
E que agora nada iria adiantar.
Não posso mais mentir pra mim.
É o seu amor que me faz bem,
É com você e só com você me sinto feliz.
E lá vem a vida, me tratando com desdém.
E lá vem a vida, desejando o meu fim.
Eu não tive opções,
Eu não escolhi chorar,
Não quero perder o único amor,
Que no chão me fez viajar,
Que me ensinou a dor,
Que me ensinou a amar,
Mas o destino é cruel,
E não se importa com sua vida lá fora,
Já que tu foste embora,
Pra nunca mais voltar.
E levou meu sorriso contigo,
Podia também levar minha vida.
Não tenho mais interesse em ficar.

Kelly Christine


Final Infeliz...

Estavam lá.
As mesmas pessoas que apontavam o dedo na minha cara em riste,
Me acusando de coisas que eu não fiz,
Me condenando por erros que não eram meus,
Me julgando como se todo o horror fosse responsabilidade minha.
Essa não era a história de amor que eu queria viver.
Estavam lá.
Todas as palavras duras que eu tive que ouvir,
Pensando que eu tinha feito o meu melhor,
Ah, doce ilusão a minha,
De estar ajudando alguém,
Não ajudava ninguém.
Eu o amava.
Como jamais serei capaz de amar novamente.
Com todas as forças que o meu coração permitiu,
Com todos os sentimentos que eu conhecia.
Verdadeiramente. E em todos os sentidos.
Agora precisava deixa-lo ir.
Por quê?
Aos olhos dos outros, eu era uma ameaça.
Aos olhos dos outros, era responsabilidade minha toda aquela loucura.
Começava a colocar em xeque, minhas próprias certezas.
Era de fato, responsabilidade minha?
Por que ele parecia tão bem e tão são quando estava comigo?
Não, algo estava errado.
E desta vez, não era eu.
Eu fico pensando. Talvez seja melhor assim.
Não pra mim, pois estar longe é sinônimo de saudade,
E saudade é sinônimo de dor.
Mas pra ele, talvez, eu realmente seja uma doença,
Talvez eu seja a dor.
Eu não trago o equilíbrio, eu desiquilibro.
Eu não trago a paz, eu sou o precipício.
Então, é realmente melhor deixar ir...
Não, não posso esquecer tudo o que aconteceu,
E nem quero esquecer.
Uma história linda merece ser recontada, e relembrada.
Uma história, onde apesar do final não ser feliz,
O ponto final chegou.
E mais uma vez, quem teve que fechar o livro,
Quem teve que terminar de escrever a história,
Foi o destino.
Lágrimas percorrem o rosto.
Não posso recomeçar, o que no meu coração se foi.


Kelly Christine

19 de mar. de 2014

O amor perdido...

Por que as coisas precisam ser tão difíceis?
O amor é um sentimento tão simples,
Basta amar e pronto.
Sem grandes complicações, traumas, sofrimento, desentendimentos.
Não podia ser simples assim?
Podia.
Mas não é.
Há os desencontros,
Há a solidão,
As lágrimas.
Por que complicar o amor?
Aquele que você fecha os olhos e entrega o coração,
Aquele onde podem existir milhares de pessoas a sua volta, só uma fazem seus olhos brilharem,
Aquele que permanece fiel, independente de todas as adversidades ao qual é submetido.
Esse é o amor verdadeiro.
O que caminha ao seu lado, entrelaça os dedos nos seus cabelos e te acha linda numa manhã bagunçada.
O que entende os seus problemas, o que te escuta, o que está ali para o que der e vier.
O que precisa de você sempre por perto, o que acredita no que sente,
Não no que os outros dizem.
Os outros... são só os outros.
Mas não, não pode ser simples assim.
Pra que simplificar o que podemos complicar?
Eu engoli todos os cacos deixados dentro de mim, e fiquei em silêncio.
Permaneci onde ninguém mais queria ficar.
Caminhei no deserto da minha alma, encarando a solidão que então seria minha única companhia.
Sobrevivi à tempestade, mas não sem sentir os dados que ela me causou.
Enfrentei a tristeza, a angústia.
Carregava comigo uma culpa que não era minha.
Encarava os olhares das pessoas, que me julgavam em silêncio e me difamavam em voz alta.
Fui guerreira. E lutei até o fim.
Eu sabia das consequências de permanecer em silêncio.
Eu sabia que, por mais partida que eu estivesse, a conexão que eu tinha com ele era mais que simples amor.
Mesmo assim eu aprendi a enfrentar os meus demônios.
Mesmo assim, aprendi a conviver com eles, já que não podia vencê-los.
E tudo isso, mesmo tudo isso acontecendo dentro de mim, essa luta diária,
De ter que abaixar a cabeça para não cruzar o seu olhar com o meu,
E revelar a você toda a dor que ainda exista (e existe) em mim,
De ter que me segurar, cada vez que colocava a mão no celular para não mandar um “sinto sua falta”.
De ter que ir diversas vezes ao banheiro, chorar copiosamente, voltar à mesa como se nada houvesse acontecido, mas os olhos vermelhos me denunciavam.
Eu estava lá.
As batalhas diárias pareciam intermináveis.
E não era por orgulho. Era apenas porque nada mais que eu dissesse ou fizesse, seria diferente.
E eu permaneci. Não de pé, nem caída, apenas do jeito que o destino me permitiu.
Nada falava as pessoas.
Elas não tinham a mínima ideia do que acontecia comigo.
E mesmo se tivessem, oras, nunca se importariam.
Sem família e amigos que eu pudesse desabafar, eu chorava em todos os lugares que me via só, ou na companhia de gente estranha.
Na rua, no ônibus, pela praia.
A única pessoa que eu me permiti chorar no colo, foi do meu filho, quando a dor foi demasiadamente pesada para suportar.
E vem me dizer que eu ando vivendo normalmente?
Então... deixa eu te contar,
As batalhas que eu enfrento, não são de conhecimento público,
O único amigo que eu confiava plenamente, me abandonou no momento que eu mais precisei dele.
Vou me expor pra quê?
As pessoas já me julgam sem que eu diga ou expresse qualquer tipo de emoção.
Imagine se soubessem da minha vida.
Eu acreditei em você.
Eu entreguei o que eu tinha de mais precioso e sagrado à você,
Eu confiei em você.
Te defendi, chorei por você, estava lá quando ninguém mais estava.
E o que eu ganhei?
O que eu sempre ganho?
Silêncio não é esquecimento.
Distância pode silenciar uma voz, mas não apaga um sentimento.
Boa sorte nas suas escolhas.
Boa sorte no caminho que decidiu trilhar.
Eu lutei muito para ser o coração de dragão ligado pela eternidade à você.
Hoje, só me tornei uma mera lembrança.
Destino inexorável.

Kelly Christine