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4 de jul. de 2018

O amor não pode ser unilateral...


O amor não pode ser unilateral.
Ele tem que invadir a sua alma e te encher de luz,
Completar o que te falta, transbordar o que te sobra,
Ter o brilho dos olhos como algo comum.
O amor não pode ser unilateral.
Ele precisa ser divido para se multiplicar,
Te arrancar sorrisos, te abraçar,
Chamar teu nome quando a dificuldade surgir,
Dormir no seu abraço.
O amor não pode ser unilateral.
Ele tem que estar presente quando o mundo inteiro te esfaquear,
Ser teu escudo de bravura,
E teu recanto de paz,
Proporcionar ao teu coração o que ele precisa.
O amor não pode ser unilateral.
Ele não pode agir sozinho,
Ele não pode abraçar sozinho,
Ele não pode beijar sozinho.
O amor não pode ser unilateral.
Quem ama por dois, acaba não amando ninguém,
Não possui amor próprio, não pode amar por alguém,
Está condenado a morrer de sede a beirada do lago.
O amor não pode ser unilateral.
Amores assim estão condenados a solidão da tentativa e aceitação,
Tenta modificar o que não pode mudar,
E aceitar como certo tudo aquilo que é errado,
Condenado a dor.
O amor não pode ser unilateral,
Ame-o. Ame-a. Nunca ame a sensação que as pessoas te causam,
Sinta falta, beije, chore, ria, abrace, esteja com você sempre,
E quando não puder estar com você fisicamente, que deixe o coração com você,
Que pense em você sempre,
Que planeje um futuro,
Que os erros do passado apenas sejam lições.
O amor não pode ser unilateral.
Unilateral não é amor.
É piedade. É insegurança.
É tudo, menos amor.

Kelly Christine



30 de jan. de 2017

Ainda é janeiro...

São tantas lembranças que eu queria apagar,
Isso porque ainda é janeiro,
O ano mal começou,
Minha esperança já terminou.
A vida é diferente do lado de cá.
A garota não consegue confiar integralmente,
Ama de coração, mas não se entrega inteiramente,
Alguns defeitos são impossíveis de reparar.
Eu pensava que estava bem,
Eu achando inocentemente que faria alguém feliz.
Só precisa de carinho, não é mesmo?
Só precisa de amor, de cuidado.
Ledo engano...
Ainda é janeiro e eu já me iludi.
Eu lutei tanto, e no fim, cheguei a lugar algum.
Ainda é janeiro e está lá,
A realidade que ninguém quer ver,
A verdade que ninguém quer notar.
O seu passado, no seu coração, ainda é presente.
Você só não quer admitir,
Que o que ainda toma conta da sua mente,
São memórias vividas longe daqui.
Eu me esforcei tanto,
Para ser o único motivo do seu sorriso,
Para ser a razão dos seus sonhos,
Para te conduzir ao paraíso.
Eu briguei, lutei, corri atrás,
Enfrentei os monstros mais cruéis em mim,
Em nome daquilo que eu achava que era amor,
E nunca teria fim.
Mas ainda é janeiro,
Olha só que ironia,
Em apenas 30 dias, dei a volta no mundo inteiro,
Para retornar a mesma agonia.
O que era pra ser profundo e leve,
Está se tornando doloroso e breve,
Sufocando as flores que cultivei,
Aqui estou, mais uma vez, a lutar em lágrimas,
Por alguém incapaz de demonstrar sentimentos além dos muros,
Preso às lembranças que te marcaram por toda vida.
E a minha ingenuidade me fez acreditar,
Que eu seria capaz de apagar,
Aquilo que te fez sofrer,
Então suas defesas me retribuíram o favor,
Com o mesmo tanto de dor,
De quem prefere morrer,
Depois que o coração se desfez.
E olha só, mais uma volta.
Ainda é janeiro,
E eu desistindo de tudo,
Mais uma vez.

Kelly Christine.


11 de jan. de 2017

"Pretinha..."

Algo não estava certo.
Eu não me sentia dali.
Estava desconectada, implantada em um lugar que não me pertencia.
Suportaria qualquer coisa por um sorriso seu,
Mas e se o preço fosse simplesmente deixar de ser eu?
O problema é quantos anos eu tenho,
A cor da minha pele,
A minha morada,
As posses que não possuo.
Não sou “classe média”.
Sou suburbana, periferia, com muito orgulho.
Choro sozinha, com vergonha de mim,
Nunca precisei fingir ser o que não sou,
Moro na favela,
Me orgulho da minha cor,
Meu caráter foi criado nas paredes de um quarto apertado,
Do conjunto habitacional,
Que você tem medo de estar.
Vejo as fotos,
E me sinto destonada,
Eu não combino com nada,
Por que estou aqui afinal?
Um silêncio cheio de lágrimas me invade,
Os únicos apelidos com carinho vêm relacionados ao negro,
Eu não ligo... ligo?
E o que eu sou se resume a isso?
O que eu sou pra você afinal?
Qual a importância da mãe solteira,
Parda,
Pobre,
Sem ensino superior,
Moradora da favela?
É isso que você vê?
É isso que os outros vêm?


Kelly Christine



10 de out. de 2016

Outra vez...

Dói, sabe. Ver que tantos anos da vida foram em vão,
Que a minhas ações, nunca sem razão,
Só resultaram em fracasso.
E o coração, fingindo ser de aço,
Tenta suportar o insuportável,
Quer gritar, quando é obrigado a ser amável,
No fundo dos olhos onde todo o mundo perdeu a cor.
Onde está o amor?
Que vem de repente, te surpreender,
Que te completa, te prende, envolve você,
E faz sua mente girar.
Onde está a alegria, estampada no olhar?
De quem caminha a longos passos ao entardecer,
E ainda acredita que se pode viver,
Sob a mesma luz que tudo ilumina,
Sem definhar num destino que a prende na sina,
De ser infeliz para outros promover,
Para ter que se diminuir e ver toda a gente crescer,
Por que tudo tem que ser assim?
Cadê o conto de fadas prometido pra mim?
Em quantas lágrimas ainda preciso me afogar,
Para dessa escuridão poder me libertar?
Quanto mais terei que fingir,
Que nada mais me atinge, e tudo me faz sorrir,
Até quando terei que abrir mão,
Daquilo que faz vibrar meu coração?
Para poder fazer feliz,
Aquele que nunca me diz,
Que tudo faria por mim,
Que estaria comigo até o fim.
Talvez esse seja o meu destino,
Aceitar o passado, ignorar aquilo que não termino,
E esquecer a minha imagem no seu olhar refletida,
Que me fez suportar até então as feridas.
La vem a realidade,
Sufocando as minhas saudades.
Me obrigo a aceitar,
Que não posso mais amar,
E deixo partir, insensatez,
A chance de ser feliz, outra vez.


Kelly Christine


5 de set. de 2016

O que fazer?

E o que fazer?
Quando o coração acelera,
Pedir para parar de bater?
Um olhar que tudo entrega,
Um sentimento que não posso corresponder,
Sonhos quebrados,
Se juntam tão tristes,
Não adianta querer.
Para onde foi aquela alegria?
Ações povoadas de emoção,
Lágrimas se escondem contidas,
No fundo de uma canção.
É a vida ensinando, de novo,
Que tudo se deve à razão,
De ter a alma ferida,
Fingindo não ter coração.
Sorrindo, com vontade de chorar,
Calada, com vontade de gritar,
O que fazer quando você sente o que não deve sentir?
Deixar me levar,
Ou fugir?
O que fazer?
Quando todas as pessoas que posso estar, não são você?
O que fazer?
Quando as palavras não têm mais sentido,
Quando precisar de mais do que um ombro amigo,
O que fazer?
Quando você é obrigada a aceitar,
O destino decidir por você,
Tanta coisa para falar,
Nada por merecer.
Fingir que eu não sou eu,
Ou você não é você?
O que fazer?

Kelly Christine






31 de jul. de 2016

Para onde vão os nossos sonhos?

Para onde vão os sonhos?
Para onde vão?
Depois de abrir os olhos,
Nossos desejos mais íntimos,
Nossa canção.
Para onde vai tudo aquilo que queríamos perto?
E ficou ao longe,
Para onde vão?
Onde estão as lágrimas?
Onde está a voz?
Que calou quando queria falar,
Que acalmou o sentimento feroz.
Cadê os sorrisos?
Cadê a atenção?
As promessas feitas no olhar,
O juramento são.
Para onde foi aquele sonho?
Aquela ilusão,
Da família do comercial,
Da imagem do cartão.
Se perdeu na noite escura e fria,
Se perdeu.
Quebrando em pedaços a certeza,
Deixando a alma vazia,
E doeu.
As palavras correndo linhas,
A tinta que marca.
Todos os amigos um dia me deixaram,
Partiram o coração.
O amor há muito virou pó,
No meio da escuridão.
E hoje, sozinha, me pergunto:
Para onde vão os nossos sonhos,
Para onde vão?


Kelly Christine

25 de mai. de 2016

Eu não escolhi esperar...

Só quem teve fome sabe o valor que tem o pão.
Só quem teve sede sabe o valor do copo d’agua.
Só quem já teve as lágrimas contidas pela vergonha de chorar, sabe o valor que tem um abraço sem perguntas.
Estive aqui o tempo todo, só você não viu.
Estive ao seu lado, em silêncio, tentando te transportar para o meu mundo.
E você, sem ao menos me perguntar, me arrastou para o seu.
Tão próximos,
Tão distantes,
Os centímetros que separam você de mim, na minha cama, são quilômetros de silêncios que gritam.
Mal interpretados,
Silêncios que imploram,
A morte silenciosa que se aproxima do peito.
Não choro mais,
Não argumento mais,
Tudo passa devagar, como se despedindo.
Eu estava lá.
Por que você me enxerga, mas não consegue me ver?
Por que você acha que por mais anos a fio eu irei esperar?
Os olhos se cerram,
A porta de fecha,
Mais uma noite, uma noite a mais,
Até quando?
Era escrever ou explodir,
Era escrever ou me calar,
O surto que surta em mim,
Apagam o brilho dos olhos, extingue a chama de toda a esperança,
De quem cansou de lutar.
O vento frio,
A garoa fina,
Apenas temperam uma alma em desespero que não oferece mais resistência.
Fantasio nos filmes,
E vejo nas telas uma realidade que jamais viverei,
Casada, exaurida,
Desistência iludida,
O amor partiu de mim,
Dizendo não só um ‘até logo’, como sempre,
Mas adeus, olhando à frente,
É o fim.


Kelly Christine

16 de dez. de 2015

Um futuro sem amanhã...

Todo adeus dói.
Como pode não doer?
Você deixa pra trás tudo aquilo que um dia acreditou,
Poderia ser seu.
Queria poder explicar, porque temos que deixar,
Porque somos deixados,
Porque, alguns de nós, nasceram incompletos.
Como queria poder modificar esse olhar,
Que encara o espelho com uma expressão vazia,
E tenta colocar no rosto um sorriso que não condiz com a sua alma.
Vejo as luzes de Natal na madrugada,
Piscando, piscando,
Pequenas estrelas artificiais penduradas à janela.
Seu brilho aparece turvo,
Embaçado pelas lágrimas silenciosas correndo pelo rosto.
Não acredito mais.
Tantas idas e vindas,
Quantos pedaços partidos,
Cansaço e solidão.
Não quero mais o que não posso carregar,
Um fardo pesado demais para mim,
Um fantasma vivente.
Nem mesmo o silêncio quis minha companhia,
Nem mesmo ele, que por tanto tempo esteve ao meu lado.
Não sou prioridade,
Nem mesmo opção.
Não serei a primeira,
Dificilmente serei a última.
Até quando terei que assistir os meus sonhos morrerem?
Uma imaginação impossível,
Pequenas imagens girando na minha cabeça,
Improváveis de acontecer um dia.
Os desejos que arranham,
O coração calado, quebrado, fragilizado,
Mal conseguiu dormir.
Pensamentos sombrios que rondam,
Um futuro sem amanhã,
De uma pessoa como eu,
Que analisa o que não pode se ver,
É reprovada em sua maneira de viver.
Agora aguenta,
A mulher com o espírito de menina,
Que vê a alma envelhecer solitária,
Ansiando por companhia.
Suporta!
Engole o choro, e aceita o que não te pertence,
Diga adeus, não olhe para trás.
Nada te espera lá.
Não há nada para você.
Aquele coração é dono de si mesmo.
E tem outra pessoa como morada.
Não existe nada nesse mundo que possa mudar isso,
Nem mesmo vontade,
Nem mesmo trabalho.
Há apenas a distância,
Que os quilômetros separam,
Que os olhos não creem.
Aceita,
Que certas pessoas como você,
Foram feitas para não pertencerem a ninguém,
E permanecerão assim... Incompletas.
Por toda vida.

Kelly Christine

13 de jun. de 2014

Tristeza Muda.

Eu acordei em silêncio.
Olhei para mim e nada vi.
Olhei para fora e nada vi.
Até quando vou viver uma vida que não é minha?
Era uma tristeza muda,
Umas doses de melancolia,
Lembranças borradas.
E eu vendo a vida passar na janela do ônibus.
Até quando vou viver uma vida que não é minha?
 Não há mais sentimento,
Mal falo de sensações,
Apenas um punhado de memórias,
Que nada me acrescentam, que nada me diminuem.
Até quando vou viver uma vida que não é minha?
Eu já tinha falado várias vezes de vazio,
Mas nada se compara a isso,
Uma esperança sem esperança,
Orações que pedem paz,
Lágrimas silenciosas.
Até quando vou viver uma vida que não é minha?
Seguindo sem destino,
Vivendo sem sonhos,
Um coração ausente de amor.
Olho para o espelho em dúvida,
De lágrimas secas por fora e cortantes na alma.
Continuo me perguntando em silêncio:
Até quando vou viver uma vida que não é minha?


Kelly Christine.


4 de jun. de 2014

Ela se chamava tristeza...

Às vezes, ela aparece sem ser convidada,
Vai sentando, se acomodando.
Perturba na madrugada,
Se acorda gritando.
Às vezes, chega de mansinho,
Como quem não quer nada
Bem devagarinho,
Quase delicada.
Ela mantém o silêncio ao redor,
E vai derrubando tudo,
Deixando o que é ruim ainda pior,
Fazendo o coração ficar mudo.
Há os que pensam que é saudade,
Há os que acham que é solidão,
É mais dolorosa, pois é verdade,
É mais cruel, porque tem sempre razão.
E lá vem ela mais uma vez,
Derrubando as lágrimas em mim,
O muro em minha volta se desfez,
Meu escudo de defesa teve fim.
E então, ela sorriu,
E o mundo perdeu sua cor,
Dentro de mim o vazio
Da tristeza que ocupou o lugar do amor.

Kelly Christine