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14 de mar. de 2017

Guardei pra mim...

Guardei pra mim.
Aquela lágrima silenciosa que escorreu pela minha alma,
Quando a ansiedade da espera
Foi substituída pela decepção do encontro,
Quando o olhar que deveria ser doce, era recriminatório.
Guardei pra mim.
Todas as palavras que queria ter dito,
Todas as declarações doces que queria ter falado,
Todo o sentimento puro que queria ter demonstrado,
Guardei pra mim.
Pois eu gerei tantas expectativas sobre sonhos de papel,
Imaginei tantas coisas que nunca sairão de minha mente,
Realizei tantos feitos,
Que deixariam qualquer conto de fadas a desejar,
E tudo isso... Guardei pra mim.
Pois vaguei a vida inteira de coração em coração,
Procurando por morada,
Encontrando decepção,
Até pensar que finalmente o porto seguro tinha surgido no horizonte...
Mais uma vez, ilusão.
Guardei pra mim,
Continuo pisando em ovos para poder ser verdadeira,
Palavras mal interpretadas,
Destino sem eira nem beira,
Até quando terei que procurar?
Quando irá acabar, esse queira ou não queira,
Duas doses de paciência,
Uma tonelada de besteiras,
Guardei pra mim,
A vontade de estar dividindo,
Um futuro, um presente, um desejo,
O pedido e o ‘sim’,
Tudo aquilo de mais bonito,
Que imaginei assim,
Mais uma decepção quebrada,
Mais uma ilusão formada,
De um sonho que se dissipa,
Que eu guardei pra mim.


Kelly Christine

5 de set. de 2016

O que fazer?

E o que fazer?
Quando o coração acelera,
Pedir para parar de bater?
Um olhar que tudo entrega,
Um sentimento que não posso corresponder,
Sonhos quebrados,
Se juntam tão tristes,
Não adianta querer.
Para onde foi aquela alegria?
Ações povoadas de emoção,
Lágrimas se escondem contidas,
No fundo de uma canção.
É a vida ensinando, de novo,
Que tudo se deve à razão,
De ter a alma ferida,
Fingindo não ter coração.
Sorrindo, com vontade de chorar,
Calada, com vontade de gritar,
O que fazer quando você sente o que não deve sentir?
Deixar me levar,
Ou fugir?
O que fazer?
Quando todas as pessoas que posso estar, não são você?
O que fazer?
Quando as palavras não têm mais sentido,
Quando precisar de mais do que um ombro amigo,
O que fazer?
Quando você é obrigada a aceitar,
O destino decidir por você,
Tanta coisa para falar,
Nada por merecer.
Fingir que eu não sou eu,
Ou você não é você?
O que fazer?

Kelly Christine






31 de jul. de 2016

Para onde vão os nossos sonhos?

Para onde vão os sonhos?
Para onde vão?
Depois de abrir os olhos,
Nossos desejos mais íntimos,
Nossa canção.
Para onde vai tudo aquilo que queríamos perto?
E ficou ao longe,
Para onde vão?
Onde estão as lágrimas?
Onde está a voz?
Que calou quando queria falar,
Que acalmou o sentimento feroz.
Cadê os sorrisos?
Cadê a atenção?
As promessas feitas no olhar,
O juramento são.
Para onde foi aquele sonho?
Aquela ilusão,
Da família do comercial,
Da imagem do cartão.
Se perdeu na noite escura e fria,
Se perdeu.
Quebrando em pedaços a certeza,
Deixando a alma vazia,
E doeu.
As palavras correndo linhas,
A tinta que marca.
Todos os amigos um dia me deixaram,
Partiram o coração.
O amor há muito virou pó,
No meio da escuridão.
E hoje, sozinha, me pergunto:
Para onde vão os nossos sonhos,
Para onde vão?


Kelly Christine

16 de dez. de 2015

Um futuro sem amanhã...

Todo adeus dói.
Como pode não doer?
Você deixa pra trás tudo aquilo que um dia acreditou,
Poderia ser seu.
Queria poder explicar, porque temos que deixar,
Porque somos deixados,
Porque, alguns de nós, nasceram incompletos.
Como queria poder modificar esse olhar,
Que encara o espelho com uma expressão vazia,
E tenta colocar no rosto um sorriso que não condiz com a sua alma.
Vejo as luzes de Natal na madrugada,
Piscando, piscando,
Pequenas estrelas artificiais penduradas à janela.
Seu brilho aparece turvo,
Embaçado pelas lágrimas silenciosas correndo pelo rosto.
Não acredito mais.
Tantas idas e vindas,
Quantos pedaços partidos,
Cansaço e solidão.
Não quero mais o que não posso carregar,
Um fardo pesado demais para mim,
Um fantasma vivente.
Nem mesmo o silêncio quis minha companhia,
Nem mesmo ele, que por tanto tempo esteve ao meu lado.
Não sou prioridade,
Nem mesmo opção.
Não serei a primeira,
Dificilmente serei a última.
Até quando terei que assistir os meus sonhos morrerem?
Uma imaginação impossível,
Pequenas imagens girando na minha cabeça,
Improváveis de acontecer um dia.
Os desejos que arranham,
O coração calado, quebrado, fragilizado,
Mal conseguiu dormir.
Pensamentos sombrios que rondam,
Um futuro sem amanhã,
De uma pessoa como eu,
Que analisa o que não pode se ver,
É reprovada em sua maneira de viver.
Agora aguenta,
A mulher com o espírito de menina,
Que vê a alma envelhecer solitária,
Ansiando por companhia.
Suporta!
Engole o choro, e aceita o que não te pertence,
Diga adeus, não olhe para trás.
Nada te espera lá.
Não há nada para você.
Aquele coração é dono de si mesmo.
E tem outra pessoa como morada.
Não existe nada nesse mundo que possa mudar isso,
Nem mesmo vontade,
Nem mesmo trabalho.
Há apenas a distância,
Que os quilômetros separam,
Que os olhos não creem.
Aceita,
Que certas pessoas como você,
Foram feitas para não pertencerem a ninguém,
E permanecerão assim... Incompletas.
Por toda vida.

Kelly Christine

2 de dez. de 2015

Awakening...

Hoje acordei com vontade de gritar.
Aquilo que guardo em silêncio dentro de mim.
Toda a carência de quem se sente só,
Em meio a tantas pessoas indiferentes.
Hoje acordei pensando como seria melhor estar indiferente ao mundo.
Enquanto o mundo hoje está indiferente a mim.
Pensando em como as pessoas mudam quando não precisam mais de você.
Como tudo se torna descartável, substituível.
Como tudo se torna nada, rapidamente.
Hoje acordei e encostei-me à janela,
Colei o rosto no vidro de uma realidade que eu queria fugir,
Mas estava lá,
Poste a poste,
Faixa a faixa,
Estranho a estranho, que sentava ao meu lado sem nada dizer.
Hoje acordei e coloquei meus fones de ouvido,
Tentando encontrar o conforto que buscava nos braços de alguém,
Imaginando coisas impossíveis,
Tentando esquecer o possível.
Hoje acordei com vontade de continuar dormindo,
E realizar nos meus rarefeitos sonhos,
Tudo aquilo que as minhas emoções permitissem,
Toda loucura que é permitida,
Dentro da minha mente.
Hoje acordei, mas queria mesmo acordar?
E todos falam: “O que fez com o dom de mais um dia que Deus te deu?”
E eu penso: Depende, o que se considera como dom?
Trabalhar e não gostar do que faz,
Estar em meio a pessoas, que não gostam de você,
Conviver ao lado de alguém que tem outras prioridades,
Viver no meio de uma família onde você é mais um ponto-e-vírgula do que um sinal de mais.
De que tipo de dom estamos falando?
Hoje eu acordei e mais uma vez entendi,
Lições de vida serão repetidas incansavelmente,
Até que você as aprenda.


Kelly Christine

23 de jan. de 2014

Ficou para trás...

Professora.
Policial Militar.
Tradutora - Intérprete.
Promotora Pública.
Engenheira Química.
Publicitária.
Tudo ficou para trás.
A festa de 15 anos.
A viagem à Disney.
O vestido bufante da formatura.
O cavalo.
Tudo ficou para trás.
O casamento.
O casal de filhos.
A casa com quintal.
A iguana, o bulldog.
A biblioteca cheia de livros, lidos e para ler.
Os filmes para assistir à dois.
Tudo ficou para trás.
A faculdade.
A felicidade.
O amor para toda vida.
O show de rock.
Os sonhos.
Tudo ficou para trás.
A esperança.
A fé.
A vontade se seguir adiante.
O desejo de dividir.
Tudo... ficou para trás.


Kelly Chrisitne

8 de jan. de 2014

Arrumando minha bagunça.

Passa-se tanta coisa no meu interior que na maior parte das vezes se torna improvável escrever.
A bagunça tem se tornado corriqueira, mas incômoda.
Hora de mudar. Ou pelo menos, revelar-se.
O que estamos fazendo da nossa vida?
Até onde sou capaz de ir por mim? E por alguém?
E até onde alguém seria capaz de ir por mim?
Questões, perguntas, dúvidas.
Escrevo para eu mesma com medo de não ter mais ninguém para falar.
Mas a realidade é essa mesmo.
Hora de fazer planos, hora de pequenos sonhos se realizarem e grandes sonhos se encaminharem.
Hora do ‘olá’. Hora do ‘adeus’.
É preciso seguir em frente, sabendo que o passado deixou apenas lições e não um caminho de volta.
É preciso seguir em frente, sabendo que o futuro é o que almejamos e o presente é o que temos.
Vamos viver nossos sonhos.
Temos tão pouco tempo...


Kelly Christine

26 de set. de 2013

Só Hoje...

Só hoje, decidi não reclamar de nada.
Só por hoje.
Só por hoje, eu vou fingir que está tudo bem.
Vou pensar que tudo isso vai passar amanhã.
Que ninguém tem problemas.
Que tudo a partir de agora vai dar certo.
Só por hoje.
Vou sorrir, mostrando uma felicidade que eu não sinto.
Vou esquecer das pessoas que me machucaram,
Vou esquecer, de quem me esqueceu primeiro.
Só por hoje.
Vou manter o silêncio da paz, mesmo que essa paz não exista.
Vou ajudar as pessoas que me ignoram,
Vou levantar quem morder a minha mão.
Só por hoje.
Não vou lembrar que amanhã será mais um dia igual.
Vou ignorar que os sentimentos, tão frágeis, estão se partindo, mesmo contra minha vontade.
Vou caminhar com passos firmes e seguros de alguém que sabe exatamente para onde vai.
Hoje, só por hoje,
Eu terei o amor do meu lado.
Cuidando de mim, se preocupando comigo,
Mesmo que isso seja apenas dentro de minha cabeça.
Hoje, só por hoje,
Não vou me quebrar de lado a lado,
Remoendo todos os sonhos partidos que deixaram de acontecer,
De todos os pequenos fracassos que me levaram a desilusão absoluta,
Da incompreensão das pessoas que me julgam antes mesmo de enxergar meu interior.
E assim, os anjos vão dar uma piscadinha pra mim,
E eu vou rir incontrolavelmente de tudo o que um dia me fez chorar,
Porque o caminho foi longo, árduo, tortuoso,
Mas eu venci.

E então, eu abro os olhos e encaro o teto no escuro.
O sonho terminou.
Que Deus me dê forças para continuar.
Hoje, só hoje.


Kelly Christine

21 de mai. de 2013

Sonhos Despedaçados...


Os meus sonhos estão cercados... por arames farpados...♫

Foi esses dias.
Fui no casamento de um colega do trabalho, com outros colegas também.
Durante a cerimônia, foi como se as portas da realidade batessem na minha cara, de par em par.
Por muitos e muitos anos eu sonhava com aquilo. Lutei desenfreadamente para fazer com que tudo acontecesse, lutei para dividir minha vida, meus sonhos, meus problemas com alguém, queria ser entregue pelo meu pai ao braço direito de um homem que seria meu amigo, companheiro, amante, por toda minha vida.
Sim aquilo tudo aconteceu naquela noite.
Mas não foi comigo.
E jamais aconteceria.
As lágrimas desciam de par em par, sem controle.
Os colegas riram de minha postura, afinal, tão normal chorar em casamentos, mas no meu caso, chegara a ser copioso, afinal existiam outros motivos além da emoção.
Tantas lembranças em sonhos destruídos, retratados em um momento que não me pertencia.
Tantos desejos de realizar tudo isso com alguém impossível. Mas não.
Eu estava ali sozinha. Eu estava ali, eu, minhas lágrimas, e os sonhos frustrados de alguém que jamais viria isso acontecer.
Não, não era por falta de luta. Nem de tentativas, nem nada disso.
Eu lutei e o tempo passou. E esse tempo que passou jamais voltaria novamente para que eu tentasse mais uma vez.
Os anos não foram generosos e nem suaves para ninguém.
Me deixaram dolorosamente no limiar de tudo o que desejava.
Não era como simplesmente ter pena de mim, ou coisa semelhante.
Parecia que o meu destino estava me mostrando que eu não tinha sido destinada a permanecer em tudo o que eu sonhei.
O que quero?
O que ninguém pode me dar de volta.
Os anos que eu perdi, lutando por uma causa igualmente perdida.
Lágrimas vermelhas que saltam aos olhos.
Estou sozinha mais uma vez. Isso não é algo que eu desejei, mas não adianta me lamentar.
Renato Russo já dizia: queria ter alguém pra conversar, que não usasse o que eu digo contra mim depois.
As palavras chegam mais uma vez pelas mensagens.
Medito sobre elas mais uma vez.
Situações tão diversas, o mesmo sentimento de impotência.
Sei de todo aquele discurso heroico, sobre caráter e problemas que moldam a personalidade de cada um.
Eu sei de tudo isso.
Eu quero continuar lutar, por mais frustrante que isso possa parecer.
Mas o tempo impiedoso está passando. E o tempo não volta.
Sofro num silêncio amargo de saber que terei que ser sombra dos sonhos alheios, já que os meus mesmos não podem mais acontecer.
Sou velha demais pra isso.
A vida me contrariou em tudo o que sempre acreditei.
Os sonhos não chegam, mesmo depois de você tentar, insistir e não desistir.
O tempo não espera você realizar o que quer. Ele te enfraquecerá, envelhecerá e depois te deixará com vergonha de continuar tentando conseguir coisas consideradas “ridículas” pra sua idade.
Por que me importar com que os outros pensam ou dizem na sociedade?
Porque infelizmente ainda faço parte dessa sociedade ridícula que exige padrões.
Porque tenho um filho, que gostaria que não se envergonhasse de mim.
O que eu quero?
Uma família Chester Perdigão.
Um Natal dos meus sonhos e conversas corriqueiras na soleira da porta.
Sorrir sem motivos. Chorar de felicidade.
Ver o tempo correr devagar, não assistindo a vida passar, mas vivendo cada segundo dela e saboreando dividir isso tudo com o mesmo olhar.
O olhar que me tomou do braço esquerdo do meu pai.
No impossível não existe concorrência. Por isso ninguém nunca chegou até lá.
E é justamente para onde todos os caminhos da minha vida querem me mandar.
Uma lágrima cai manchando o papel mais uma vez.
Resignação.

Kelly Christine. 

23 de abr. de 2013

O Sonho Final.


Para ler com os olhos do coração.

Relato de um sonho.

O anjo que sempre te protegeu, cuidou de você, estava ao seu lado nas horas certas e incertas, te olha com ternura.
Um pequeno anjo feio, de longas asas, feitas de amor, carinho e compreensão.
Sem uma explicação lógica, no meio daquilo que seria apenas uma simples conversa, em um gesto de fúria, você arranca as asas do anjo. Despedaça com ódio, rancor, os olhos fervendo de uma cólera que toma conta de seus gestos, não há limites para sua raiva.
O anjo nada diz ou faz. Sente a dor e o sangue escorrendo no corpo, o coração também despedaçado. Continua te olhando com ternura, agora chorando. Nenhuma palavra dita, nenhuma reclamação, nenhum gesto para evitar tamanho morticínio de suas asas que só tinham como finalidade alcançar e proteger os sonhos. Seus e dele.
E você continua arrancando despedaçando e mais e mais as asas do anjo. Com fúria, violência, que deixam sua respiração ofegante e seus pensamentos turvos. No pequeno anjo feio, escorrem lágrimas de sangue por seus olhos. Estes mesmos olhos que veem e não entendem o porquê de tanto ódio, de tanta raiva de alguém que só retribuiu tanta dor com afeto.
Após tempos de trabalho, as asas não existem mais. Você para e tenta recuperar o fôlego, parece satisfeito com o que vê. O anjo olha para o chão, vê as pequenas penas espalhadas, cobertas pelo sangue dos justos. Nas costas, os ossos expostos, só afirmam o que uma pessoa movida pela raiva é capaz de fazer. Toca de leve os ombros e se encolhe diante da dor. Um suspiro de resignação se faz ouvir. O anjo feio já tinha vivido algo assim, porém nunca a ponto de sofrer tamanha agressão.
O anjo ainda te olha com ternura. Sabe que aquele é o seu fim, o outro anjo de asas cinzas vai vir buscá-lo em breve e para sempre. Você não é capaz de encará-lo, mas não se mostra arrependido pelo que fez. Dá os ombros em um gesto de pouco caso e vira as costas para não precisar encarar o horror que acabou de causar. Era valente quando tomado pela raiva. Raiva essa que sempre nos leva onde não devemos ir.
Com um olhar singelo, um sorriso desprovido de felicidade, e grandes lágrimas que cobriam agora seu rosto, junto com o sangue, o anjo disse apenas o seguinte:

- Obrigada por tantas lições diante do caminho que escolhi trilhar.
Tentei seguir com fé, escrever meus passos em nome de um sentimento que só existia em mim.
Abençoados são aqueles que podem contar com pessoas leais. A lealdade é o gesto mais puro que as pessoas podem partilhar entre si.
Eu fui leal a você. E ao que eu sentia. Até agora.
Não fiz cobranças, não exigi nada e nem pedi nada em troca. Apenas que você enxergasse em mim o que eu supunha que faltava em você.
Mas nada te falta. És autossuficiente e sei que não precisa de mim ou das minhas asas para viver. Sei que não precisa de nada além de si mesmo.

O anjo com grande dificuldade se abaixou e pegou uma pena. Era uma das milhares espalhadas, mas uma das poucas sem estar pintada com as manchas de sangue. Caminhou cambaleante em sua direção, tomou-lhe a mão e lhe entregou a pena.

- Isso é parte daquilo que fui um dia. Isso é tudo que restou de mim.

Neste momento, um grandioso anjo negro com enormes asas cinzas e olhos vermelhos surgiu. Carregava seu grande cajado preto e tinha um semblante pesado e rude. Falou sem cerimônias:

- É chegada a hora.

O pequeno anjo feio tocou os dedos ensanguentados no seu rosto. Sentiu o calor que sabia que nunca mais sentiria e jamais esqueceria. Olhou no fundo de seus olhos para que ele visse o que ainda existia em seu coração despedaçado.

- Adeus à metade de mim, então adeus a mim mesma.

Como uma névoa densa em uma manhã fria, sumiu diante dos olhos de seu agressor. Você ficou com apenas aquela pequena pena na mão, todas as outras haviam sumido, com os pedaços das asas do pequeno anjo feio. Era como se nada tivesse acontecido.
Respirava aliviado. Sentia que tinha feito o que era certo, geralmente o que a vida impõe que seja correto. Faria feliz quem estava em sua volta.
Prosseguiu a vida. Afinal ela não para e não depende de sentimentos.
E esqueceu por completo a única coisa que não o tornava só uma pessoa. Tornava um humano.
Fim.

Kelly Christine