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19 de ago. de 2013

Borboletas...

Quando eu parei de desejar para mim,
A mesma felicidade que as outras pessoas possuíam,
E aceitei que as coisas tinham que acontecer ao meu tempo, não ao tempo que eu me impunha,
A vida ganhou outra direção, outro significado.
Quando parei de querer que tudo acontecesse como eu queria,
E passei a aceitar o que o destino me ofertava,
A vida começou a correr de maneira menos dolorosa.
E eu comecei a gostar mais das coisas que eu já possuía.
Quando parei de achar que nada funcionava para mim,
E vi que as outras pessoas também tinham tantos (ou até mais) problemas que eu,
Passei a querer resolver minhas questões com mais segurança,
E acreditei que tudo na vida tinha uma solução.
Quando parei de correr atrás do amor,
Como se corre atrás de borboletas que prezam voar livres,
Comecei a regar com paciência o jardim da minha existência,
Cuidei das flores e das árvores com o carinho e a dedicação que lhe faltavam,
Vi a vida desabrochando vagarosamente...
E passei a esperar pacientemente, o esperado:
Que as borboletas que tanto fugiam de mim antes,
Pousassem no meu ombro sutilmente após tanto tempo.

Kelly Christine

31 de dez. de 2012

O último Ano...


2013. Ele está chegando.
2012. Está partindo.
Tanta coisa aconteceu neste ano.
Nenhuma que eu planejei. Nada que planejo dá certo.
O último ano da minha vida, da minha existência.
Eu pensei que agora poderia fazer história, deixar um pequeno legado do que eu sou.
Virarei apenas lembranças em datas festivas, e aniversários.
Pra quê então?
Olhando o mar ontem, percebi o quão insignificante pode ser uma pessoa.
O quão a sua vontade, os seus desejos, seus sonhos são pequenos, perante uma grandeza de mundo.
O mundo que assistimos, dia após dia, girando, se movimentando.
Enquanto nossa vida simplesmente se esgota, como a areia na ampulheta.
Liberdade.
Você pode fazer escolhas, e tem opções.
Tão diferente de querer fazer escolhas sem nenhuma opção.
Ver seus olhos pensativos, com sede do mundo que você quer tocar.
Saber que eu não vou poder fazer o mesmo.
Mais uma escolha não feita – sem opções.
Uma pequena chama de esperança de ver o destino mudar,
Apesar dele próprio, ter me alertado de que era o fim,
Preciso tentar.
Continue respirando.
Deite no chão, na terra, e sinta com todo o seu coração, o mundo girar.
Olhando o céu, tão cheio de nuvens,
Brigando para fazer parte daquilo que luta para não fazer mais parte de você.
Deixo um sorriso de lembrança,
2012 indo embora, se esvaindo como a areia na ampulheta.
Não adianta mais fazer deste ano o melhor da minha vida,
Preciso fazer de 2013 o melhor ano da minha vida,
Preciso transformá-lo em inesquecível,
O último ano.
Que não seja assim.
Um brinde à coragem que nunca me abandonou,
E a teimosia que me trouxe até aqui,
De nunca desistir,
Mesmo sabendo que não há mais motivos para continuar.
Tim-Tim.

Kelly Christine

25 de jul. de 2012

Um sorriso em lágrimas.


E lá foi o dia,
Com seus contratempos,
Seus passatempos,
Sua rotina.
E lá vem a noite,
Menina pequena,
Tão doce e serena
Abraçando suas dores e sua agonia.
Um sorriso em lágrimas.
Tão contrário, tão igual,
Tão montado, tão natural,
Marcando o fim e nascer de um novo dia.
E lá vem o dia,
Com seus temores,
Seus amores,
Corações partidos.
Decorre devagar,
Alma gelada,
Racional e calada,
Espera a vida passar.
Chegando a noite,
A saudade que vai,
A chuva que cai,
Só me lembra que, depois de todo dia,
Vem uma noite.
E entre os dois, há o nosso desafio maior:
O de continuar existindo.

Kelly Christine

9 de mai. de 2012

A vida do lápis...


Tudo começou com uma pergunta durante o jantar. Ele está naquela fase dos “porquês”, então eu preciso ter paciência de explicar certas coisas. Paciência é algo muito raro em mim ultimamente, mas aquela pergunta, não era mais uma pergunta qualquer.
- Mamãe, por que tem gente que morre?
Sim, era uma pergunta que nem eu mesmo podia responder com total segurança. Como explicar para meu filho que certas pessoas boas se vão e gente ruim acaba ficando e atormentando ainda? Não precisava ser dura. Não precisava ser complexa, afinal, ele só tem 06 anos. Era preciso arrumar um exemplo que fosse de fácil compreensão pra ele e que não o traumatizasse no futuro, já que não sei se farei parte dele.
- Filho, quando você está na escola, e a ponta do seu lápis se quebra, o que você faz?
Ele me olhou com curiosidade e sorriu. Respondeu sem pensar:
- Eu abro meu estojo, tiro o apontador e aponto!
- Então, quando você vai apontando o lápis, o que vai acontecendo com ele?
- Ah, mamãe, ele vai ficando menor!
- Então, pense nas pessoas como lápis. Eles nascem de uma grande árvore, cheios de energia, prontos para escrever e desenhar. A medida que o tempo vai passando, vão surgindo as dificuldades, os problemas, e a nossa ponta quebra. Então, vem o grande apontador, para nos dar uma nova chance de continuar, porém, a um preço: ele vai diminuindo nosso tempo de existência. Continuamos a nossa tarefa, até o dia que o apontador não conseguir nos apontar, e ficamos pequeninos. Então, quando você não consegue mais apontar e nem segurar o lápis por ele estar pequeno demais, o que você faz?
Ele parecia estar entendendo. Balançou as pernas embaixo da mesa, mastigou a comida com pressa para falar:
- Eu troco de lápis!
- É assim a vida. O mundo é um grande caderno e a gente vai escrevendo e desenhando conforme nossa grande Mão vai comandando. O tempo vai passando, a vida se extinguindo, e o mundo começa a exigir outro lápis. Por isso, aproveite bem a sua vida, escreva e desenhe tudo o que tiver vontade, pois certas coisas só têm uma única chance de fazer.
Ele me olhava e eu percebi que entendeu. Nem eu sei da onde tirei uma comparação tão simples de viver a vida. Mas agora, pensando por esse lado, percebo que há sentido nisso. Existem tantos lápis no mundo, alguns com madeira nobre, outros ordinários, uns em caixas de veludo e outros em caixas de papelão. Uns se espalham pela mesa e quebram as pontas a todo o momento. Outros simplesmente escrevem, sem falhar, até serem substituídos por outros.
Penso em mim, como um lápis agora. Não sei bem de que tipo de madeira sou feita, mas vi minha ponta quebrar várias vezes. Será que já escrevi e desenhei tudo que queria na vida?
Acho que não. Melhor começar agora, antes que as folhas do meu caderno acabem.

Kelly Christine

28 de mar. de 2012

Eu, Resultado das Minhas Escolhas...

Eu escrevo para tirar essa dor de mim
Basta de lágrimas, chega de depressão
Digo adeus àquela doce ilusão
Que mentia e me condenava ao fim
É hora de recomeçar,
Juntar os pedaços, os olhos enxugar
Não vou correr atrás de quem não dá um passo por mim
Não te embelezarei mais, arrancando as flores do meu jardim.
Doer? Claro que dói, eu só não digo mais
Ver que no final, eu fui deixada pra trás
Fiquei por minha conta, abandonada à própria sorte
Tão decepcionada que só queria a minha morte.
E Deus me fazia carregar uma cruz mais pesada do que podia agüentar
Sem piedade do meu sofrimento, sem direito a reclamar
O que não me deu escolhas, me fortaleceu,
Cada passo que eu dava, em direção a algo que não era meu.
Eu fui além, cheguei ao fundo do poço, sem esperanças
Me isolando nos pensamentos, me refugiando nas lembranças
Vendo meu corpo, cada vez mais fraco, no barro a afundar
Era chegada a hora, da minha vida um novo rumo tomar.
Passo a passo, as paredes da minha agonia eu escalei
Olhando sempre para frente, escorregando pelo caminho, eu avancei
O coração endureceu, não é mais o doce habitat
Não há espaço para mais ninguém entrar
A beirada da minha ruína, permaneci
Com as dificuldades de quem não tinha da onde tirar forças, eu subi
Não há alternativas, a não ser agora, seguir em frente
O motivo pelo qual caí, jamais se apagará da minha mente
A confiança que se rompeu
O coração que se comprometeu
Voltam em pequenas partes para minhas mãos
Procuram no silêncio a verdade da razão
Das minhas escolhas, me tornei o resultado
Os olhos secos, sentimentos calados
Arrependimentos que não se consolam na verdade
De quem abriu mão de si mesma em busca da felicidade.
Jamais me esquecerei de todas as respostas
Daqueles que eu mais precisei, e me viraram as costas
Eu senti toda dor e agonia
Enquanto implorava ajuda de quem só assistia.
Hoje a verdade se revelou
O que o coração insistia em não ver, o destino impiedoso mostrou
Confiar em si mesma, o resto decepção
Buscar conforto e abrigo, segurando as próprias mãos.
Relutei contra isso, ainda estou aqui
Nenhuma vontade de ficar, nenhum motivo para partir
O destino, mente que diz que nós mesmos o escrevemos
Marionetes dos deuses, vidas a mais, vidas a menos.
A poesia acabou, as palavras finalmente saíram
Até onde o coração pode se calar, até onde meus próprios sentimentos se feriram
Mente quem diz que pra trás não vai olhar
Olharei, com a certeza que o tempo é senhor de tudo
Cicatrizes vão surgir, solidão e sofrimento se tornarão apenas passado...
... Mas será um passado que jamais irá te perdoar.

Kelly Christine

13 de out. de 2011

Esses Dias...

Me sentindo vazia.
Estar em um lugar cheio de gente, e, no entanto, sentir que falta tudo, falta alguém.
O que há comigo?
Esses dias eu tenho pensado em várias coisas diferentes. Pessoas que não tinham a mínima importância, ganharam seu espaço no meu coração. E as essenciais, deixaram de ser tão imprescindíveis assim.
O que há comigo?
Esses dias eu desejei estar apenas no silêncio da minha alma. Reservada ao meu coração, as histórias da minha vida. Basta de se expor a quem não tem interesse nos seus problemas, apenas no tamanho das suas soluções. Basta de chorar as lágrimas de um sofrimento que tem apenas como objetivo, te aprofundar ainda mais em um mundo onde ninguém se importa de como você entrou e se um dia sairá.
Se for para sofrer por alguém, que seja por amor, verdadeiro.
Se for para chorar por alguém, que seja de coração, mesmo ferido.
Se for para continuar caminhando, que seja por você, não por alguém.
Esses dias eu tenho pensado em como as pessoas pronunciam “eu te amo” com a mesma facilidade de dizer: “O saldo de sua conta corrente é igual a R$ 0,00.”
Mecanicamente... Obrigatoriamente.
Não sinta pena da pessoa que diz que te ama, por você não sentir o mesmo.
Sinta pena de si mesmo, por ser cruel o suficiente para dizer que também ama banhado em mentiras.
O que há comigo?
Esses dias eu não tenho dormido bem. Talvez porque até o sono tenha abandonado a mente que anseia tanto por sonhos bons durante a noite. Se a vida real é tão difícil de ser vivida, os sonhos deveriam ser tornar consoladores. Deveriam. Se existissem.
Esses dias andei pensando...

Está na hora de mudar.

Kelly Christine.

18 de mai. de 2011

Juntando os pedaços de mim...

Eu, juntando os pedaços de mim mesma
Sozinha, sem depender de ninguém
Afinal, vou depender de quem?
No caminho do amor só encontrei desilusão
Entreguei coração inteiro, só os pedaços restaram
O brilho do sorriso, ofuscado pelo amargo das lágrimas
O amor desesperado
Não quero mais mágoas
Não quero mais dor
Chega de lágrimas
Basta de amor
Quero a vida, simples, como uma bolha de sabão
Voando livre, sem destino, o universo a conhecer
De repente, sem motivo algum, ela some
Para que outra bolha possa nascer
Vida minha, não te compreendo
Me querias tanto, mais tanto
Agora que me tens, não me queres mais
Descartável mais uma vez
Mais uma vez o pranto...
Dias inglórios, noites mal dormidas
Para no final de tudo: nada
Queria que a minha vida toda
Tivesse sido aquela madrugada
Onde eu conheci o sorriso
De alguém que queria na minha estrada
Caminhando comigo
De mãos dadas
Ganhei apenas a consolação de quem espera
O pobre com fome, na miséria
O pão não alimenta, a água não satisfaz
Coração aos pedaços
Nunca mais.
Juntando os pedaços de mim
Sozinha, mais um vez
Coração escorre pelos dedos como areia, é o fim
Esperança que se desfez
Vida simples, um sonho qualquer
Impossível, na minha visão
Nunca deixei de ser menina, nesse corpo de mulher
Nunca deixei de acreditar na emoção
Nenhum pedido sequer
Atendido, apenas a ilusão
Vida simples, um sonho qualquer
Cansou de receber apenas ‘não’
A bolha sumiu, a luz apagou
O silencio paira no ar
A tristeza que deveria ir embora, ficou
Nenhuma palavra a falar
Tu só terás o meu amor
Quando eu deixar de te amar
Juntando os pedaços de mim, eu sei
A verdade dói, humilha os olhos, aflige a intenção
É tarde, só darás valor ao que tem
Quando perderes meu coração
Quebrado, parado
Cansou da desilusão
Não acredita em mim, não acredita em ninguém
Se refugiou numa prisão
Saiu do meu peito, por aí se perdeu
Juntando os pedaços de mim, ninguém mais
Apenas eu...

Kelly Christine