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21 de mai. de 2018

Amigos breves...


Afinal, o que são os amigos?
De tão simples de explicar, é difícil explicar.
Amigo é aquele que está lá ao seu lado quando ninguém mais estiver.
É aquele que te apoia, te suporta e ao mesmo tempo te repreende na falta.
É o que ri com você,
O que chora com você.
O que mata um e não vê por sua causa.
Amigo é aquele que, quando o coração for magoado pelo amor, estará lá.
Para cuidar das feridas, secar suas lágrimas, te proteger.
Amigo se magoa também, mas jamais deixará você de lado.
Acho que essa é a definição de amigo: o amor que estará lá quando o outro amor faltar.
Na teoria, seria assim.
Vejo por mim, que isso não funciona.
Uma vida de amores superficiais e amigos rasos.
Aqueles que te desejam pela utilidade, e não conseguem enxergar o seu valor.
Pensei que, com o tempo, eu tivesse superado isso.
Entrei pra faculdade,
Conheci novos amigos...
Tão rasos quanto os anteriores.
Eu perdi a utilidade: não tenho valor.
Fui deixada de lado.
Desisti.
É preciso aprender a estar só e tentar entender a própria solidão.
Os amores rasos, ficaram para trás.
E eu fiquei para trás, deixada por aqueles que disseram que seria para sempre.
Me faltou maturidade?
Onde foi que errei?
Perguntas que me faço.
Talvez um dia eu entenda:
Não posso me culpar por aquilo que não dependia só de mim.
Eu fui fiel.
Eu estive lá.
Agora, aqui atrás, eu desejo sorte.
Que vocês não encontrem pelo caminho, o mesmo tipo de pessoa que encontrei no meu:
Aquela que só entende o valor da outra, quando precisa.

Kelly Christine



Never again...

3 de mai. de 2018

A gente chora...


A gente chora...
Antes, quando crianças, a gente chorava alto até nossa mãe aparecer, lembra?
Era pelo joelho ralado,
Pelo brinquedo roubado,
Pela atenção.
Hoje, a gente chora,
Baixinho, para ninguém ouvir,
Para não precisar dar nenhuma explicação,
Pelo partido coração,
Ou alimentar uma curiosidade, longe de ser sincera.
A gente chora no chuveiro, para ninguém perceber.
Os olhos vermelhos denunciam um crime, para os mais atentos, impossível de ocultar.
Mas, quem estaria atento?
A casa em silêncio, a sala vazia.
O quarto de paredes cinzas, está tão quieto quando o timbre da voz,
Que tem na alma tantos gritos sufocados,
Presos a garganta e que não há com quem dividir.
Preciso me acostumar com isso...
A gente chora.
Não tem ninguém olhando,
Quem se importa com isso?
Seja na beirada da cama,
Ou sentada no ônibus,
Em um lugar onde as pessoas se sentam e não se importam.
Seja aqui, ali ou acolá,
A gente chora.
Porque não há nenhum outro alívio que você possa dar a sua alma.
Não há amores, não há amigos.
E o Deus, tão altíssimo, observa como bom professor - em silêncio.
São as ideias, as agonias, os dramas, os traumas, seu mundo.
Resumido a dois filetes de água que não param de correr de seus olhos.
A gente chora.
E por que não haveria de chorar?
Quem te apoiou?
Quem está contigo agora?
Suas escolhas erradas,
Seus passos incertos,
Te trouxeram até aqui.
Menina sem sorte,
Desejou tanto a morte,
Que a própria morte a fez desistir.
Agora são lágrimas.
Correndo em pares,
Em todos os lugares,
Que te viram partir.
Enquanto a gente chora,
O outro comemora,
A alegria de sorrir.
Aprenda de uma vez,
Que tudo o que você fez,
Foi dar o seu tempo,
A quem não retribuiu nada,
Em nenhum momento.
Decisões equivocadas,
Uma vida fracassada,
De quem insiste em tentar.
Um silêncio profundo ao relento,
De quem nunca conheceu a felicidade,
Além de curtos momentos,
E agora se põe a chorar.
De novo, no mesmo lugar,
O coração concorda com a mente,
Cala essa voz da alma,
Esconda tudo o que sente,
Está na hora de partir.

Kelly Christine
  

7 de nov. de 2017

Eu preciso de alguém...

Começo esse texto apenas com esse apelo:
Eu preciso de alguém que também precise de mim.
Alguém que sinta saudades,
Que surpreenda, de vez em quando.
Não preciso de milhares de provas, de centenas de presentes,
Uma flor arrancada de um jardim, um bilhete inesperado, uma mensagem fora de hora,
Eu preciso de alguém que também precise de mim.
Que acorde no meio da noite e perceba o quanto eu faço falta,
Que durma abraçado comigo quando eu estiver ao seu lado,
Que goste do meu cheiro, do meu carinho,
Que tenha fotos minhas no seu celular quando eu não estiver por perto.
Eu preciso de alguém que também precise de mim.
Que faça planos comigo, que imagine um futuro inteiro pela frente,
Que me impulsione pra frente, estando ao meu lado,
Que goste de gatos, de cachorros, de viagens, de Netflix.
Eu preciso de alguém que também precise de mim.
Será tão pecado desejar algo assim?
Hoje eu tenho que ficar calada,
Saio de tão longe pra te ver,
Tenho que correr atrás,
Não posso exigir nada, cobrar nada, reclamar de nada, sem diálogo.
E vejo o futuro repetir o passado,
Cansada de ter que mendigar pelo sentimento mais nobre da vida,
Eu preciso de alguém que também precise de mim,
Que não fique dormindo quando eu saio de casa pra vê-lo,
Ou pelo menos, que me convide para dormir também,
Que não tenha preguiça de estar comigo,
Que entenda que certos silêncios se fazem necessários,
Que analise melhor aquilo que fala e que faz.
Eu preciso de alguém que também precise de mim,
Pois ser maltratada, deixada de lado, correr sozinha, cansa.
Porque ser sempre eu a tentar manter essa relação de pé, cansa.
Porque ficar implorando carinho, atenção, amor, cansa.
Porque eu preciso de alguém que precise de mim,
Antes de eu desistir de precisar.


Kelly Christine

8 de dez. de 2016

Lei do Retorno...

Essa é a parte mais engraçada de uma vida que eu não entendo...
Sabe, quando eu era uma bela vadia, que não me importava com os sentimentos alheios, não me machucava tanto.
Viver parecia mais fácil.
Respirar era mais fácil.
Hoje, os anos passaram.
Sinto o peso da velha experiência que te torna uma pessoa mais frágil, mais suscetível.
Te olho no fundo dos olhos.
Sei quando mente pra mim.
Antes, era tudo mais fácil.
Eu enfraqueci.
Antes, você era jovem, e todo o seu mundo se resumia as nossas caminhadas.
Hoje, eu te vejo mentir... tão descaradamente,
Não vou fazer nada,
Eu enfraqueci.
Cada estúpido desejo meu era realizado como se uma rainha comandasse o seu feudo.
Hoje, um simples pedido, meu Deus, quanto trabalho...
Quanto vai custar?
Quanto trabalho vai te dar?
E se chover?
E se não chover?
E se?
Pra quê?
O tempo passou,
A beleza nunca me pertenceu, o pouco que tinha minguou,
Os cabelos embranqueceram,
Os olhos fundos de quem pouco dormiu, pouco viveu e muito lutou,
Tem uma sombra permanente sob o olhar.
Eu enfraqueci.
Eu só queria ver as luzes de Natal.
Não era tão difícil assim.
Ou era?
Aí a gente conclui,
Quando eu era aquela bela vadia, todos se ajoelhavam aos meus pés.
Hoje, nem eu mesma de joelhos tenho pequenos pedidos atendidos.
Eu enfraqueci.
Bem feito pra mim,
Para eu aprender,
Que a lei do retorno é mais forte que tudo,
Mais forte que eu,
Mais cruel que você.

Kelly Christine.



24 de ago. de 2016

Depois dos anos...

E depois de anos você aprende.
A se importar menos.
A perceber que a opinião das pessoas já não é mais tão relevante assim.
A apreciar (ainda mais) as coisas simples.
A valorizar (ainda mais e mais) o que é verdadeiro.
Aprende que amigos o acaso nos traz,
E a vida os mantém ou os leva.
Que tudo passa,
E todos, um dia, irão embora.
Que só restará o que você carrega no peito e nas lembranças,
E nenhum bem material pode comprar um sorriso.
Que abraços são palavras,
Que olhares traduzem emoções,
E tudo que foi lágrimas, hoje são lições.
Aprende a entender,
Que cada pedra que você tombou,
E cada pessoa que te feriu,
Moldaram seu caráter, construíram a base de seus valores.
Tome tudo como aprendizado.
Depois de anos, você aprende.
É Deus, Ele sabe te guiar.
Depois de tudo, você aprende a não perder a fé.
Depois dos anos, de tantos aniversários,
Depois de tantas solidões, e corações partidos,
A gente endurece.
A gente amadurece.
Depois dos anos, estamos aqui.
Depois dos anos, você percebe que os anos não são as únicas coisas que ficarão para depois.

Obrigada vida, por ter me dado uma segunda chance.

(Se eu soubesse antes o que eu sei agora...)

Kelly Christine