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22 de mar. de 2018

Quanto terei que esperar?


E em vários pedaços eu fiquei,
Ali parada, um nó na garganta, um embargo na voz,
Tantos problemas, tantos sonhos,
Onde foi que eu errei dessa vez?
Eu cobrava atenção, eu pedia carinho, eu queria afeto.
Quantas vezes em silêncio eu desejei?
E você me ignorou.
Uma, duas, dez, mil vezes.
Uma frieza no olhar, um semblante desprovido de remorso.
Eu só queria o teu colo amigo,
Mas quando eu precisei,
Quem estava lá?
Quantas vezes você veio até mim?
Quantas vezes me surpreendeu?
Uma mensagem fora de hora, um encontro ao acaso,
Apenas algo que me tirasse do eixo,
Quantas vezes?
Quantas vezes, sem eu precisar correr?
Quantas vezes, sem eu precisar interver?
Em quantos pedaços eu terei que me juntar mais uma vez?
Por quanto tempo eu terei que esperar para ter meu próprio conto de fadas,
Sem me intoxicar pelo que vejo nas redes sociais,
Onde parece que nunca chegarei aquele nível de felicidade que os outros ostentam.
Por quanto tempo terei que esperar,
Pra você segurar minha mão,
Pra me dizer que tudo pode dar errado, mas você estará sempre ali,
Por quanto tempo?
Quando o mundo inteiro me esfaquear,
De muitos lados e várias maneiras,
Por quanto tempo terei que esperar até você vir em meu socorro?
Quanto terei que gritar para você largar tudo e me proteger?
Quando eu perder a fé,
Desacreditar dos sonhos,
Desistir da vida,
Você virá?
Ou vai esperar eu me tornar uma lembrança pequena no seu olhar,
Onde saudade não caberá mais,
Onde você estará?
Quando tudo for silêncio e paz?
As lágrimas que ferem,
O olhar que se despede...
Eu parei de lutar.

Kelly Christine.



11 de set. de 2017

O Retrato do Ódio...

Dizem que um olhar é capaz de traduzir tudo o que se passa em nosso interior.
Naquele momento em que olhei para você, eu compreendi isso.
Nenhuma palavra precisou ser dita. Mesmo em seus momentos de raiva comigo, não havia aquele olhar: um olha de ódio, iria muito além da raiva, do aborrecimento, da fúria.
Eu entrei calada, sabia que tinha cometido um erro impulsivo, não queria justificar nada, só queria que ele estivesse bem.
Foi insuficiente.
Uma noite insone, um abismo na cama que parecia tão vazia quanto as paredes do meu quarto.
A dor não justifica.
Me culpou por tudo, logicamente. Eu tinha tanta culpa nas minhas costas, que o peso dela calou a minha voz.
Não, lágrimas não são argumentos. Mas elas gritam no meu rosto, enquanto me encolho dentro da roupa, tentando dizer algo desnecessário.
Me lembrei do olhar fulminante do dia anterior.
Aquilo queimou a minha alma, cravou na minha pele como tatuagem.
Aquilo era inesquecível.
Escutei nessa mesma noite de uma pessoa: “casamento é quando você tem que estar ali, sempre. É quando um está pelo outro, mesmo que ninguém mais esteja. ”
Aquilo ecoou na minha mente durante todo o dia. Durante toda a noite. E ainda está ecoando.
Porque eu tentei estar ali.
E tinha cometido o erro de me preocupar demais.
Silêncio.
Fui escutando os meus passos desacompanhados, descendo as escadas.
Ainda sentia aquela porta fechando atrás de mim. ‘Tchau’.
O que eu poderia fazer?
Nada.
Preciso me acostumar com os silêncios.
Preciso entender que a felicidade não foi feita para mim.
Que eu deveria me contentar com uns poucos momentos de sorrisos, para uma vida inteira de dor,
De sonhos frustrados,
De olhar para o casal à minha frente de mãos dadas, planejando o futuro,
E eu tendo que entender: não há futuro pra mim.
Não o que eu desejo, não o que eu sonhei.
Não há sonhos, não há promessas,
Apenas o silêncio da casa vazia,
A solidão que sentou, sem cerimônia, na minha cama,
E aquele olhar de ódio, de quem eu só esperava amor.


Kelly Christine

You were my fire,
So I burned,
Til' there was nothing left of me...

1 de mai. de 2017

Covardia...

Atravessando a dor da própria solidão sem apoio de ninguém.
A fé que me sustenta também enfrenta seus momentos de fraqueza.
Eu tento entender onde estava o meu erro.
Eu só pedi para você estar ali, comigo.
Ali, do meu lado, mais nada.
Mesmo assim, era demais.
Sem pestanejar ou sequer questionar,
Eu realizava cada um dos seus caprichos,
Mas quando só ameaçava questionar algo meu,
Era drama demais,
Chorona demais,
Tudo demais.
Egoísta demais para perceber o próprio egoísmo,
Dilacerava um coração aos poucos,
Cujo único erro foi amar demais.
Cansada de insistir numa vida sem perspectivas, eu me mantive em silêncio.
E mesmo assim, ainda era considerado um erro.
Um dia que você não me deu atenção enquanto eu estava lá.
No outro, eu não estava lá, e você não fez questão,
O terceiro foi o sinal de alerta.
Pra quê eu servia afinal?
Cedia aos seus desejos, e deixava de lado meus sentimentos?
O quão cruel pode ser uma pessoa,
Para despertar o amor de outra, sem intenção de amá-la?
Por que não me disse adeus, de uma vez?
Tão corajoso para gritar aos quatro ventos, os meus supostos erros,
E covarde demais para me afastar de uma vez?
Eu ainda tenho utilidade? E quando terei valor?
Cansada de me afogar em lágrimas de uma felicidade que só existe na minha cabeça,
Eu espero mais uma vez os dias passarem.
O adeus que a sua covardia deixou de dizer,
A realidade do tempo se encarrega de trazer.


Kelly Christine


27 de dez. de 2016

Eu lembrei de você hoje...

Eu lembrei de você hoje.
Vi o rosto de um menino na piscina que estava, vermelho queimado de sol, tão branquinho quanto você.
Eu lembrei de você hoje.
Contei para meu filho todas as vezes que você me fez rir, e quando segurava minha mão para impedir que o meu mundo caísse.
Eu lembrei de você hoje.
Quando passei por aquela rua e apontei para a cobertura do prédio mais alto, eu lembrei: ah, eu já mostrei isso pra ele.
Eu lembrei de você hoje.
Lembrei de todas as vezes que andamos juntos, rimos juntos e choramos juntos.
Eu lembrei de você hoje e centenas de lembranças vieram à tona.
As caminhadas intermináveis com um assunto que não acabava mais.
As reclamações de tudo, com tudo e para tudo.
As longas conversas durante a madrugada.
Eu lembrei de você hoje.
Todas as pequenas e singelas coisas que eu tentei te mostrar, que você não conhecia e eu nunca saberei o porquê já que eu mesma não entendia isso.
Eu lembrei de você.
De todas as vezes que eu briguei, esperneei e chantageei para te mostrar que outro caminho era possível,
Que aqueles problemas tinham solução,
Que não se podia desistir nunca.
Até perceber... que nada mudaria.
Eu lembrei de você hoje,
E que saudade doída se abateu em mim,
Uma saudade sem fim, um choro em silêncio.
Não adiantava mais insistir, pois existem pensamentos que precisam ser provados, não discursados. E isso, você não entendia.
Eu lembrei de você hoje.
Em meio a um ano cheio de catástrofes e amarguras, você ocupou um dos lugares mais bonitos em mim. E eu pensei, até então, que seria pra ficar.
Eu lembrei de você hoje.
Mas o preço que eu pedi pelo meu coração era caro demais pra você pagar.
As caminhadas sessaram,
As palavras mutaram,
O assunto morreu.
E o lema de ‘não desistir’ se perdeu.
Eu lembrei de você hoje.
Fiz uma oração baixinho, disse seu nome, agradeci.
Aquelas coisas bonitas ninguém pode me tirar.
Eu lembrei de você hoje,
Apesar das feridas, das cicatrizes, da dor, eu precisava ter lembrado.
Não acreditava mais em mim,
Achava que eu tinha traído, achou que eu tinha mudado.
Eu lembrei de você hoje.
Em silêncio corre pelo meu rosto a lágrima do adeus,
Não fui preparada pra isso, fui obrigada a aprender.
Eu lembrei de você hoje.
As palavras duras ditas com ódio, numa conversa cheia de ressalvas,
Nada explicado, nada resolvido.
Ao contrário de mim, você não me precisa,
Seguiu seu caminho com suas escolhas, e me amaldiçoou:
Não precisei lembrar de você hoje,
Já que não pude te esquecer...


Kelly Christine


19 de out. de 2016

Você nunca espera.

Você nunca espera se ferir,
Você nunca espera pela dor,
Você nunca espera.
Nunca espera pelo fim,
Nunca espera um dia ruim.
Apenas uma batalha,
No meio da guerra.
Me vi mais uma vez sem pedaços,
Procurando em quaisquer par de braços,
O conforto do coração ferido.
Anda pelo vale da morte,
Aquela pessoa sem sorte,
Sem passado, sem destino.
Um dia será apenas um retrato
Na cômoda, na mesa, um fato.
A lembrança que empoeira.
Um sentimento sem eira nem beira,
Fica quieto em algum canto,
Tentando não pensar no encanto,
Que o quebrou mais uma vez.
A confiança que se desfez,
Ficou só no precipício,
Entendeu desde o início,
O frio gélido que o espera.
Onde está aquela voz sincera,
Que doces mentiras me dizia?
Ah, que venha então a noite fria,
Soprando os ventos de mais uma mudança.
Que saudades de ser criança,
Que chorava pelos ralados, não pelas cicatrizes,
As crianças tão mais felizes,
Só conhecem a física forma da dor,
Que o tempo as poupe do amor,
Que fere, dilacera e mata,
Aquela pessoa ingrata,
Que retribui com pedras as flores que depositei.
Onde estava Deus quando eu chorei,
Sem saber que caminho seguir?
Perdida, deixei me levar,
Não sabia partir, não queria ficar,
Mas, precisava ir,
Você nunca espera pela dor.
Você nunca espera.

Kelly Christine



25 de mai. de 2016

Eu não escolhi esperar...

Só quem teve fome sabe o valor que tem o pão.
Só quem teve sede sabe o valor do copo d’agua.
Só quem já teve as lágrimas contidas pela vergonha de chorar, sabe o valor que tem um abraço sem perguntas.
Estive aqui o tempo todo, só você não viu.
Estive ao seu lado, em silêncio, tentando te transportar para o meu mundo.
E você, sem ao menos me perguntar, me arrastou para o seu.
Tão próximos,
Tão distantes,
Os centímetros que separam você de mim, na minha cama, são quilômetros de silêncios que gritam.
Mal interpretados,
Silêncios que imploram,
A morte silenciosa que se aproxima do peito.
Não choro mais,
Não argumento mais,
Tudo passa devagar, como se despedindo.
Eu estava lá.
Por que você me enxerga, mas não consegue me ver?
Por que você acha que por mais anos a fio eu irei esperar?
Os olhos se cerram,
A porta de fecha,
Mais uma noite, uma noite a mais,
Até quando?
Era escrever ou explodir,
Era escrever ou me calar,
O surto que surta em mim,
Apagam o brilho dos olhos, extingue a chama de toda a esperança,
De quem cansou de lutar.
O vento frio,
A garoa fina,
Apenas temperam uma alma em desespero que não oferece mais resistência.
Fantasio nos filmes,
E vejo nas telas uma realidade que jamais viverei,
Casada, exaurida,
Desistência iludida,
O amor partiu de mim,
Dizendo não só um ‘até logo’, como sempre,
Mas adeus, olhando à frente,
É o fim.


Kelly Christine

16 de dez. de 2015

Um futuro sem amanhã...

Todo adeus dói.
Como pode não doer?
Você deixa pra trás tudo aquilo que um dia acreditou,
Poderia ser seu.
Queria poder explicar, porque temos que deixar,
Porque somos deixados,
Porque, alguns de nós, nasceram incompletos.
Como queria poder modificar esse olhar,
Que encara o espelho com uma expressão vazia,
E tenta colocar no rosto um sorriso que não condiz com a sua alma.
Vejo as luzes de Natal na madrugada,
Piscando, piscando,
Pequenas estrelas artificiais penduradas à janela.
Seu brilho aparece turvo,
Embaçado pelas lágrimas silenciosas correndo pelo rosto.
Não acredito mais.
Tantas idas e vindas,
Quantos pedaços partidos,
Cansaço e solidão.
Não quero mais o que não posso carregar,
Um fardo pesado demais para mim,
Um fantasma vivente.
Nem mesmo o silêncio quis minha companhia,
Nem mesmo ele, que por tanto tempo esteve ao meu lado.
Não sou prioridade,
Nem mesmo opção.
Não serei a primeira,
Dificilmente serei a última.
Até quando terei que assistir os meus sonhos morrerem?
Uma imaginação impossível,
Pequenas imagens girando na minha cabeça,
Improváveis de acontecer um dia.
Os desejos que arranham,
O coração calado, quebrado, fragilizado,
Mal conseguiu dormir.
Pensamentos sombrios que rondam,
Um futuro sem amanhã,
De uma pessoa como eu,
Que analisa o que não pode se ver,
É reprovada em sua maneira de viver.
Agora aguenta,
A mulher com o espírito de menina,
Que vê a alma envelhecer solitária,
Ansiando por companhia.
Suporta!
Engole o choro, e aceita o que não te pertence,
Diga adeus, não olhe para trás.
Nada te espera lá.
Não há nada para você.
Aquele coração é dono de si mesmo.
E tem outra pessoa como morada.
Não existe nada nesse mundo que possa mudar isso,
Nem mesmo vontade,
Nem mesmo trabalho.
Há apenas a distância,
Que os quilômetros separam,
Que os olhos não creem.
Aceita,
Que certas pessoas como você,
Foram feitas para não pertencerem a ninguém,
E permanecerão assim... Incompletas.
Por toda vida.

Kelly Christine

18 de dez. de 2013

Eu estava lá...

Quando ninguém mais estava.
Quando todos desistiram.
Quando te julgaram, te condenaram.
Quando não te entendiam.
Quando sua raiva foi maior do que sua prudência.
Eu estava lá.
Nos piores momentos,
Nos bons momentos,
E nos momentos que eu não deveria estar.
Nos sorrisos.
Nas lágrimas.
Quando todo o universo implorava para eu ir embora.
Eu estava lá.
Quando as palavras ainda ardiam,
E toda a esperança tinha sumido.
Quando não restava mais nada, exceto tristeza.
E tudo se partia, de lado a lado.
Quando não havia certeza.
Quando você se sentia perdido.
Eu estava lá.
E mesmo quando me expulsou,
Me julgou, me feriu,
Me condenou.
Não se lembrou dos meus sentimentos,
E o mundo girava em torno de você.
Nada era importante, além de si mesmo,
Eu estava lá.
Quando tudo o que acreditava divergia de mim,
Suas verdades eram maiores que os meus princípios,
E mesmo em silêncio tentando entender o incompreensível...
... eu estava lá.
A dor era insuportável.
A força que eu tinha que fazer, para conter as lágrimas, era descomunal.
A paciência, sem limites,
E o amor, incondicional.
Porque, somente isso explicaria, depois de tantas quedas e precipícios,
Eu continuar a segurar a sua mão.
Porque, nada justifica,
Tanta dor , tantas lágrimas,
E eu... mantendo-me forte... ainda estar lá.

Kelly Christine


18 de out. de 2013

O relógio...

Tic tac, tic tac.
O dia se arrasta, as horas vagarejam no mesmo lugar.
A tristeza parece não ter fim.
Os dias iguais, as horas iguais.
A mesma rotina que insiste em me mostrar que nada vai mudar.
A dor vai permanecer,
Os sonhos vão morrer,
As esperanças não vão voltar.
Tic tac, tic tac.
A mesma música toca no “repeat”.
Tantas palavras verdadeiras,
Buscam conforto na própria solidão.
O celular mudo,
Vejo em minha mão tantas mensagens que queria de volta.
Vejo as lembranças da minha cabeça,
Quem disse que o tempo faz esquecer,
Esquece que a saudade faz lembrar.
Tic, tac, tic tac.
As batidas arrastadas marcam as paredes enegrecidas, desprovidas de vida.
Maldito relógio que corre de mim quando sorrio,
E que dorme quando a tristeza permanece.
Presa dentro de mim,
Assisto silenciosa mais uma hora passar,
Mais um dia passar,
Mais da vida passar.
O instante mágico se foi,
A minha vida não vai voltar,
Batalhas que ensinam lições,
E não me mantiveram feliz.
E agora que opção eu tive?
Me encontro abraçando os joelhos,
Sinto o umedecer das lágrimas caídas,
A música terminou. E o silêncio de fora, se choca com o barulho de dentro,
Que se cala apenas para ouvir:
Tic tac, tic tac.

Kelly Christine.