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1 de mai. de 2017

Covardia...

Atravessando a dor da própria solidão sem apoio de ninguém.
A fé que me sustenta também enfrenta seus momentos de fraqueza.
Eu tento entender onde estava o meu erro.
Eu só pedi para você estar ali, comigo.
Ali, do meu lado, mais nada.
Mesmo assim, era demais.
Sem pestanejar ou sequer questionar,
Eu realizava cada um dos seus caprichos,
Mas quando só ameaçava questionar algo meu,
Era drama demais,
Chorona demais,
Tudo demais.
Egoísta demais para perceber o próprio egoísmo,
Dilacerava um coração aos poucos,
Cujo único erro foi amar demais.
Cansada de insistir numa vida sem perspectivas, eu me mantive em silêncio.
E mesmo assim, ainda era considerado um erro.
Um dia que você não me deu atenção enquanto eu estava lá.
No outro, eu não estava lá, e você não fez questão,
O terceiro foi o sinal de alerta.
Pra quê eu servia afinal?
Cedia aos seus desejos, e deixava de lado meus sentimentos?
O quão cruel pode ser uma pessoa,
Para despertar o amor de outra, sem intenção de amá-la?
Por que não me disse adeus, de uma vez?
Tão corajoso para gritar aos quatro ventos, os meus supostos erros,
E covarde demais para me afastar de uma vez?
Eu ainda tenho utilidade? E quando terei valor?
Cansada de me afogar em lágrimas de uma felicidade que só existe na minha cabeça,
Eu espero mais uma vez os dias passarem.
O adeus que a sua covardia deixou de dizer,
A realidade do tempo se encarrega de trazer.


Kelly Christine


22 de mar. de 2014

Indestrutível...

E um dia inteiro se passou.
Parece que eu vivi outra vida,
E fui jogada de volta à minha realidade.
Eu desejei tanto que àquelas horas não terminassem nunca,
Desejei tanto... Que o tempo que costuma ser diariamente tão lento,
Não passasse correndo como quem tem pressa de chegar.
E eu cheguei ao fim.
A ponto de assistir sem nada poder fazer,
Uma porta que lentamente se fechava.
Não, não era nada daquilo que eu queria,
Não, eu nada poderia fazer.
As lágrimas vieram e eu não pude escondê-las,
O coração estava cansado de ficar calado à força,
Era preciso falar.
Era preciso bater.
A música corria solta pelos fones de ouvido,
Eu olhava nos teus olhos com o imenso desejo de te mostrar o que minha alma gritava.
E depois de tanto tempo, de tantos desencontros, choros e dor,
Sinto que finalmente você entendeu.
Apesar de tudo ser tarde demais,
Apesar de tudo ser correndo, apressado,
Era preciso falar.
O que nos ligava, era mais forte do que qualquer sentimento conhecido,
O que tínhamos em comum era mais do que amor.
E tudo isso foi descoberto
E se desfez ao mesmo tempo.
Eram tantas as coisas que nos separavam,
Eram tantas as pessoas que queriam manter a distância entre nós.
Eles tentaram,
Em alguns pontos eles venceram,
Mas não conseguiram destruir a ligação que tínhamos entre nós,
Jamais conseguiriam destruir o indestrutível.
O peito dói de saudade,
E chorar se tornou mais comum do que deveria,
A distância cala uma voz, mas jamais apagará um sentimento.


Kelly Christine

8 de jan. de 2014

Arrumando minha bagunça.

Passa-se tanta coisa no meu interior que na maior parte das vezes se torna improvável escrever.
A bagunça tem se tornado corriqueira, mas incômoda.
Hora de mudar. Ou pelo menos, revelar-se.
O que estamos fazendo da nossa vida?
Até onde sou capaz de ir por mim? E por alguém?
E até onde alguém seria capaz de ir por mim?
Questões, perguntas, dúvidas.
Escrevo para eu mesma com medo de não ter mais ninguém para falar.
Mas a realidade é essa mesmo.
Hora de fazer planos, hora de pequenos sonhos se realizarem e grandes sonhos se encaminharem.
Hora do ‘olá’. Hora do ‘adeus’.
É preciso seguir em frente, sabendo que o passado deixou apenas lições e não um caminho de volta.
É preciso seguir em frente, sabendo que o futuro é o que almejamos e o presente é o que temos.
Vamos viver nossos sonhos.
Temos tão pouco tempo...


Kelly Christine

18 de out. de 2013

O relógio...

Tic tac, tic tac.
O dia se arrasta, as horas vagarejam no mesmo lugar.
A tristeza parece não ter fim.
Os dias iguais, as horas iguais.
A mesma rotina que insiste em me mostrar que nada vai mudar.
A dor vai permanecer,
Os sonhos vão morrer,
As esperanças não vão voltar.
Tic tac, tic tac.
A mesma música toca no “repeat”.
Tantas palavras verdadeiras,
Buscam conforto na própria solidão.
O celular mudo,
Vejo em minha mão tantas mensagens que queria de volta.
Vejo as lembranças da minha cabeça,
Quem disse que o tempo faz esquecer,
Esquece que a saudade faz lembrar.
Tic, tac, tic tac.
As batidas arrastadas marcam as paredes enegrecidas, desprovidas de vida.
Maldito relógio que corre de mim quando sorrio,
E que dorme quando a tristeza permanece.
Presa dentro de mim,
Assisto silenciosa mais uma hora passar,
Mais um dia passar,
Mais da vida passar.
O instante mágico se foi,
A minha vida não vai voltar,
Batalhas que ensinam lições,
E não me mantiveram feliz.
E agora que opção eu tive?
Me encontro abraçando os joelhos,
Sinto o umedecer das lágrimas caídas,
A música terminou. E o silêncio de fora, se choca com o barulho de dentro,
Que se cala apenas para ouvir:
Tic tac, tic tac.

Kelly Christine.