Mostrando postagens com marcador solidão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador solidão. Mostrar todas as postagens

1 de mai. de 2017

Covardia...

Atravessando a dor da própria solidão sem apoio de ninguém.
A fé que me sustenta também enfrenta seus momentos de fraqueza.
Eu tento entender onde estava o meu erro.
Eu só pedi para você estar ali, comigo.
Ali, do meu lado, mais nada.
Mesmo assim, era demais.
Sem pestanejar ou sequer questionar,
Eu realizava cada um dos seus caprichos,
Mas quando só ameaçava questionar algo meu,
Era drama demais,
Chorona demais,
Tudo demais.
Egoísta demais para perceber o próprio egoísmo,
Dilacerava um coração aos poucos,
Cujo único erro foi amar demais.
Cansada de insistir numa vida sem perspectivas, eu me mantive em silêncio.
E mesmo assim, ainda era considerado um erro.
Um dia que você não me deu atenção enquanto eu estava lá.
No outro, eu não estava lá, e você não fez questão,
O terceiro foi o sinal de alerta.
Pra quê eu servia afinal?
Cedia aos seus desejos, e deixava de lado meus sentimentos?
O quão cruel pode ser uma pessoa,
Para despertar o amor de outra, sem intenção de amá-la?
Por que não me disse adeus, de uma vez?
Tão corajoso para gritar aos quatro ventos, os meus supostos erros,
E covarde demais para me afastar de uma vez?
Eu ainda tenho utilidade? E quando terei valor?
Cansada de me afogar em lágrimas de uma felicidade que só existe na minha cabeça,
Eu espero mais uma vez os dias passarem.
O adeus que a sua covardia deixou de dizer,
A realidade do tempo se encarrega de trazer.


Kelly Christine


11 de jan. de 2017

"Pretinha..."

Algo não estava certo.
Eu não me sentia dali.
Estava desconectada, implantada em um lugar que não me pertencia.
Suportaria qualquer coisa por um sorriso seu,
Mas e se o preço fosse simplesmente deixar de ser eu?
O problema é quantos anos eu tenho,
A cor da minha pele,
A minha morada,
As posses que não possuo.
Não sou “classe média”.
Sou suburbana, periferia, com muito orgulho.
Choro sozinha, com vergonha de mim,
Nunca precisei fingir ser o que não sou,
Moro na favela,
Me orgulho da minha cor,
Meu caráter foi criado nas paredes de um quarto apertado,
Do conjunto habitacional,
Que você tem medo de estar.
Vejo as fotos,
E me sinto destonada,
Eu não combino com nada,
Por que estou aqui afinal?
Um silêncio cheio de lágrimas me invade,
Os únicos apelidos com carinho vêm relacionados ao negro,
Eu não ligo... ligo?
E o que eu sou se resume a isso?
O que eu sou pra você afinal?
Qual a importância da mãe solteira,
Parda,
Pobre,
Sem ensino superior,
Moradora da favela?
É isso que você vê?
É isso que os outros vêm?


Kelly Christine



10 de out. de 2016

Outra vez...

Dói, sabe. Ver que tantos anos da vida foram em vão,
Que a minhas ações, nunca sem razão,
Só resultaram em fracasso.
E o coração, fingindo ser de aço,
Tenta suportar o insuportável,
Quer gritar, quando é obrigado a ser amável,
No fundo dos olhos onde todo o mundo perdeu a cor.
Onde está o amor?
Que vem de repente, te surpreender,
Que te completa, te prende, envolve você,
E faz sua mente girar.
Onde está a alegria, estampada no olhar?
De quem caminha a longos passos ao entardecer,
E ainda acredita que se pode viver,
Sob a mesma luz que tudo ilumina,
Sem definhar num destino que a prende na sina,
De ser infeliz para outros promover,
Para ter que se diminuir e ver toda a gente crescer,
Por que tudo tem que ser assim?
Cadê o conto de fadas prometido pra mim?
Em quantas lágrimas ainda preciso me afogar,
Para dessa escuridão poder me libertar?
Quanto mais terei que fingir,
Que nada mais me atinge, e tudo me faz sorrir,
Até quando terei que abrir mão,
Daquilo que faz vibrar meu coração?
Para poder fazer feliz,
Aquele que nunca me diz,
Que tudo faria por mim,
Que estaria comigo até o fim.
Talvez esse seja o meu destino,
Aceitar o passado, ignorar aquilo que não termino,
E esquecer a minha imagem no seu olhar refletida,
Que me fez suportar até então as feridas.
La vem a realidade,
Sufocando as minhas saudades.
Me obrigo a aceitar,
Que não posso mais amar,
E deixo partir, insensatez,
A chance de ser feliz, outra vez.


Kelly Christine


5 de set. de 2016

O que fazer?

E o que fazer?
Quando o coração acelera,
Pedir para parar de bater?
Um olhar que tudo entrega,
Um sentimento que não posso corresponder,
Sonhos quebrados,
Se juntam tão tristes,
Não adianta querer.
Para onde foi aquela alegria?
Ações povoadas de emoção,
Lágrimas se escondem contidas,
No fundo de uma canção.
É a vida ensinando, de novo,
Que tudo se deve à razão,
De ter a alma ferida,
Fingindo não ter coração.
Sorrindo, com vontade de chorar,
Calada, com vontade de gritar,
O que fazer quando você sente o que não deve sentir?
Deixar me levar,
Ou fugir?
O que fazer?
Quando todas as pessoas que posso estar, não são você?
O que fazer?
Quando as palavras não têm mais sentido,
Quando precisar de mais do que um ombro amigo,
O que fazer?
Quando você é obrigada a aceitar,
O destino decidir por você,
Tanta coisa para falar,
Nada por merecer.
Fingir que eu não sou eu,
Ou você não é você?
O que fazer?

Kelly Christine






16 de dez. de 2015

Um futuro sem amanhã...

Todo adeus dói.
Como pode não doer?
Você deixa pra trás tudo aquilo que um dia acreditou,
Poderia ser seu.
Queria poder explicar, porque temos que deixar,
Porque somos deixados,
Porque, alguns de nós, nasceram incompletos.
Como queria poder modificar esse olhar,
Que encara o espelho com uma expressão vazia,
E tenta colocar no rosto um sorriso que não condiz com a sua alma.
Vejo as luzes de Natal na madrugada,
Piscando, piscando,
Pequenas estrelas artificiais penduradas à janela.
Seu brilho aparece turvo,
Embaçado pelas lágrimas silenciosas correndo pelo rosto.
Não acredito mais.
Tantas idas e vindas,
Quantos pedaços partidos,
Cansaço e solidão.
Não quero mais o que não posso carregar,
Um fardo pesado demais para mim,
Um fantasma vivente.
Nem mesmo o silêncio quis minha companhia,
Nem mesmo ele, que por tanto tempo esteve ao meu lado.
Não sou prioridade,
Nem mesmo opção.
Não serei a primeira,
Dificilmente serei a última.
Até quando terei que assistir os meus sonhos morrerem?
Uma imaginação impossível,
Pequenas imagens girando na minha cabeça,
Improváveis de acontecer um dia.
Os desejos que arranham,
O coração calado, quebrado, fragilizado,
Mal conseguiu dormir.
Pensamentos sombrios que rondam,
Um futuro sem amanhã,
De uma pessoa como eu,
Que analisa o que não pode se ver,
É reprovada em sua maneira de viver.
Agora aguenta,
A mulher com o espírito de menina,
Que vê a alma envelhecer solitária,
Ansiando por companhia.
Suporta!
Engole o choro, e aceita o que não te pertence,
Diga adeus, não olhe para trás.
Nada te espera lá.
Não há nada para você.
Aquele coração é dono de si mesmo.
E tem outra pessoa como morada.
Não existe nada nesse mundo que possa mudar isso,
Nem mesmo vontade,
Nem mesmo trabalho.
Há apenas a distância,
Que os quilômetros separam,
Que os olhos não creem.
Aceita,
Que certas pessoas como você,
Foram feitas para não pertencerem a ninguém,
E permanecerão assim... Incompletas.
Por toda vida.

Kelly Christine

14 de jan. de 2015

Mais uma Maria, mais um José...

De quando em quando essa melancolia aparece,
Me lembrando que não sou especial,
Que a minha diferença é justamente ser comum demais,
Uma pessoa comum, juntamente com outras,
Mais uma Maria, mais um José.
Eu leio muito, vejo filmes, séries.
Sonho todos os dias com uma história que pudesse me orgulhar,
De contar o meu filho, aos meus netos.
Nada que vivi me inspira orgulho.
Sinto saudades de coisas que não vivi,
De pessoas que não conheci,
De lugares que não visitei.
O que me leva a ficar assim?
Sonhando com coisas que não vão acontecer,
Almejando o impossível,
Viajando nas minhas imaginações.
Andar de mãos dadas,
Contemplar um por do sol,
Dividir um livro.
Contar um pouco da minha vida,
Saber da sua.
Adotar sua família,
Já que o que restou da minha são farrapos daquilo que jamais foi família um dia.
Ter um cachorro,
Plantar uma árvore,
Escrever um livro,
Sorrir sem motivo.
Me sentir protegida quando o mundo quiser me engolir.
Não, a realidade é outra.
No trabalho, na rua, na academia, em casa.
A realidade é um rosto comum no meio da multidão.
Só mais um, na imensidão.
De feridas de um mundo infectado,
Com sangue de inocentes e povoado de ingratos.
Quando tudo o que se mais deseja,
Quando o coração pulsa forte, onde quer que esteja,
E a música refugia um pensamento,
Aquele que te permite ser mais.
Mais do que ser o que é hoje.
Mais uma Maria, mais um José...


Kelly Christine.


21 de out. de 2014

Um grito em silêncio...

Pequenos gritos em silêncio, pedindo ajuda.
O olhar que diz tudo, sem falar absolutamente nada.
Dor.
Eu me sinto apagando, aos poucos, uma chama sem oxigênio.
Ficar me refugiando no sono,
Me escondendo de uma vida que jamais desejei viver,
Não tem feito bem pra mim.
Nada disso tem feito bem pra mim.
E então, quando a noite cai,
E a solidão se abate,
Estou eu, entre a água que cai sobre a minha cabeça,
E a que se derrama pelos meus olhos.
Ambas se encontram, se misturam,
E se transformam na maior das minhas frustrações:
Estar sempre lutando por algo
Que no fundo você sabe
Que jamais irá acontecer.


Kelly Christine

30 de mai. de 2014

O Porquê da Solidão...

Aqueles 20 que jamais iriam te abandonar.
Aqueles 10 que jamais iriam te abandonar.
Aqueles 05 que jamais iriam te abandonar.
Aqueles 02 que jamais iriam te abandonar.
Aquele único que jamais iria te abandonar.
Aquele que te abandonou.
Como lidar com essa solidão?
De quem é a responsabilidade? Minha? Da vida?
Tudo passado ao longo dos anos,
Nada mudou. Ou tudo mudou.
Me sinto mais calejada e menos receptiva.
As atitudes das pessoas e suas ausências da minha vida me deixaram heranças.
Confiar nas pessoas é um problema pra mim.
Por quê? Eu não confio em ninguém.
Entreguei anos minha vida àqueles 20.
Deitei minhas lágrimas no colo daqueles 10.
Confessei todo meu sofrimento àqueles 05.
Abri a profundidade do meu coração àqueles 02.
Fui eu mesma em todos os aspectos apenas com aquele 01.
É... Isso foi o que me restou hoje.
A certeza de que, já dizia o Legião Urbana,
Se você quiser alguém, em quem confiar...
Confie em si mesmo.


Kelly Christine

5 de mai. de 2014

Pontas Soltas.

Pois é, os problemas não evaporam como água em ebulição.
Mas poderiam.
Minha cabeça tem sido uma junção de muitas pontas soltas, causando danos a minha saúde.
Afinal, a alma doente padece o corpo.
Mesmo que isso esteja fora do meu controle.
O trabalho tem me sobrecarregado.
A família tem me sobrecarregado.
O meu interior tem me sobrecarregado.
E eu sei que estou sozinha nessa.
Não vou fingir que estou tranquila,
Não vou fingir a força,
Apenas verei os dias passarem.
A falsidade e a hipocrisia deveriam ser expurgadas do mundo.
E ver gente assim, hipócrita, tão próxima a mim , me deixa ainda mais doente.
Ter que ficar em silêncio diante da injustiça,
Não ter com quem dividir essa experiência que vivo diariamente,
Tem sido o fardo que está testando minha força e minha fé.
E os dias se sucedem.
Com o passar deles, cada vez mais silenciosa e sozinha.
Me pergunto, em definitivo, se o erro era meu.
Mas vejo, que o erro, na verdade, vai além de um culpado.
É a comodidade de falar dos outros,
E julgar aquilo que não se pratica.
Hipocrisia, pura e simples.


Kelly Christine

19 de nov. de 2013

E o que é solidão?

E tu saberias definir o que é, realmente, a solidão?
Eu tenho minha própria teoria.
Solidão não consiste em estar, tão somente, sozinho.
É se sentir só em meio a tantas pessoas,
Ter tanta coisa a conversar, e não ter com quem fazer isso.
Reprimir seus sentimentos mais verdadeiros, e ser o companheiro que não possui.
Estar em meio à tempestade, e não ter mais a fé que grita.
Viver somente em função de quem não te retribui nem ao menos um sorriso.
É saber que ninguém fará por você, o que você faz pelas pessoas,
Contar somente com as próprias pernas, para continuar caminhando.
Levantar-se, cair e levantar mais uma vez, sem ajuda de ninguém.
Solidão é não depender das pessoas, quando mais se precisa.
É precisar e não precisar.
É encarar uma janela e sentir que a sua presença já fez diferença algum dia,
Uma presença que não tem mais a ausência sentida.
Amigos que se afastam,
Vazio que se aproxima.
Vazio, aquele que nada preenche.
Se sei o que é solidão?
Talvez, todo mundo carrega um pouco dela dentro de si.
Porém nem todos lidam bem com ela.
E quem quer lidar com a solidão?
A grande verdade é:
Somos todos seres solitários em busca da companhia do outro,
Mas nem todos queremos abrir mão do que é nosso,
Inclusive da própria solidão.
Eu sei o que é solidão,
É tentar dar voz ao que está em silêncio,
E gritar em desespero, mesmo sabendo que não há ninguém para ouvir,
E se conformar que o fim pode ser o começo,
O começo de um vazio.

Kelly Christine


18 de out. de 2013

O relógio...

Tic tac, tic tac.
O dia se arrasta, as horas vagarejam no mesmo lugar.
A tristeza parece não ter fim.
Os dias iguais, as horas iguais.
A mesma rotina que insiste em me mostrar que nada vai mudar.
A dor vai permanecer,
Os sonhos vão morrer,
As esperanças não vão voltar.
Tic tac, tic tac.
A mesma música toca no “repeat”.
Tantas palavras verdadeiras,
Buscam conforto na própria solidão.
O celular mudo,
Vejo em minha mão tantas mensagens que queria de volta.
Vejo as lembranças da minha cabeça,
Quem disse que o tempo faz esquecer,
Esquece que a saudade faz lembrar.
Tic, tac, tic tac.
As batidas arrastadas marcam as paredes enegrecidas, desprovidas de vida.
Maldito relógio que corre de mim quando sorrio,
E que dorme quando a tristeza permanece.
Presa dentro de mim,
Assisto silenciosa mais uma hora passar,
Mais um dia passar,
Mais da vida passar.
O instante mágico se foi,
A minha vida não vai voltar,
Batalhas que ensinam lições,
E não me mantiveram feliz.
E agora que opção eu tive?
Me encontro abraçando os joelhos,
Sinto o umedecer das lágrimas caídas,
A música terminou. E o silêncio de fora, se choca com o barulho de dentro,
Que se cala apenas para ouvir:
Tic tac, tic tac.

Kelly Christine.