31 de jul. de 2016

Para onde vão os nossos sonhos?

Para onde vão os sonhos?
Para onde vão?
Depois de abrir os olhos,
Nossos desejos mais íntimos,
Nossa canção.
Para onde vai tudo aquilo que queríamos perto?
E ficou ao longe,
Para onde vão?
Onde estão as lágrimas?
Onde está a voz?
Que calou quando queria falar,
Que acalmou o sentimento feroz.
Cadê os sorrisos?
Cadê a atenção?
As promessas feitas no olhar,
O juramento são.
Para onde foi aquele sonho?
Aquela ilusão,
Da família do comercial,
Da imagem do cartão.
Se perdeu na noite escura e fria,
Se perdeu.
Quebrando em pedaços a certeza,
Deixando a alma vazia,
E doeu.
As palavras correndo linhas,
A tinta que marca.
Todos os amigos um dia me deixaram,
Partiram o coração.
O amor há muito virou pó,
No meio da escuridão.
E hoje, sozinha, me pergunto:
Para onde vão os nossos sonhos,
Para onde vão?


Kelly Christine

25 de mai. de 2016

Eu não escolhi esperar...

Só quem teve fome sabe o valor que tem o pão.
Só quem teve sede sabe o valor do copo d’agua.
Só quem já teve as lágrimas contidas pela vergonha de chorar, sabe o valor que tem um abraço sem perguntas.
Estive aqui o tempo todo, só você não viu.
Estive ao seu lado, em silêncio, tentando te transportar para o meu mundo.
E você, sem ao menos me perguntar, me arrastou para o seu.
Tão próximos,
Tão distantes,
Os centímetros que separam você de mim, na minha cama, são quilômetros de silêncios que gritam.
Mal interpretados,
Silêncios que imploram,
A morte silenciosa que se aproxima do peito.
Não choro mais,
Não argumento mais,
Tudo passa devagar, como se despedindo.
Eu estava lá.
Por que você me enxerga, mas não consegue me ver?
Por que você acha que por mais anos a fio eu irei esperar?
Os olhos se cerram,
A porta de fecha,
Mais uma noite, uma noite a mais,
Até quando?
Era escrever ou explodir,
Era escrever ou me calar,
O surto que surta em mim,
Apagam o brilho dos olhos, extingue a chama de toda a esperança,
De quem cansou de lutar.
O vento frio,
A garoa fina,
Apenas temperam uma alma em desespero que não oferece mais resistência.
Fantasio nos filmes,
E vejo nas telas uma realidade que jamais viverei,
Casada, exaurida,
Desistência iludida,
O amor partiu de mim,
Dizendo não só um ‘até logo’, como sempre,
Mas adeus, olhando à frente,
É o fim.


Kelly Christine

29 de jan. de 2016

Onde está o amor?

Uma coleção insuperável de dias iguais,
Corações vazios,
Vidas sem sentido.
Até quando pertencerei à um mundo que não me pertence?
Até quando terei que ser aquilo que não sou,
Fingir uma felicidade que não sinto,
Engolir as lágrimas de uma tristeza que transborda.
Onde está o amor?
Toda aquela paixão que arde e contagia,
O coração disparado,
A barriga contraída,
O espírito livre.
Onde tudo isso foi parar?
Vejo pessoas, mas não me vejo mais ligada à elas,
Não sinto saudades,
Não sinto falta,
Não sinto!
Eu não quero mais estar assim,
Eu não quer mais ser assim,
Vazia.
O mundo me ensinou da maneira mais cruel,
A nunca depender das pessoas,
A nunca precisar delas,
A nunca... nada.
Uma fé que não tem mais razão,
Sentimentos que escoaram pelas mãos,
De alguém que lutou tanto para se manter.
Onde está o amor?
Me feriu,
Me abandonou,
Onde está?


Kelly Christine

16 de dez. de 2015

Um futuro sem amanhã...

Todo adeus dói.
Como pode não doer?
Você deixa pra trás tudo aquilo que um dia acreditou,
Poderia ser seu.
Queria poder explicar, porque temos que deixar,
Porque somos deixados,
Porque, alguns de nós, nasceram incompletos.
Como queria poder modificar esse olhar,
Que encara o espelho com uma expressão vazia,
E tenta colocar no rosto um sorriso que não condiz com a sua alma.
Vejo as luzes de Natal na madrugada,
Piscando, piscando,
Pequenas estrelas artificiais penduradas à janela.
Seu brilho aparece turvo,
Embaçado pelas lágrimas silenciosas correndo pelo rosto.
Não acredito mais.
Tantas idas e vindas,
Quantos pedaços partidos,
Cansaço e solidão.
Não quero mais o que não posso carregar,
Um fardo pesado demais para mim,
Um fantasma vivente.
Nem mesmo o silêncio quis minha companhia,
Nem mesmo ele, que por tanto tempo esteve ao meu lado.
Não sou prioridade,
Nem mesmo opção.
Não serei a primeira,
Dificilmente serei a última.
Até quando terei que assistir os meus sonhos morrerem?
Uma imaginação impossível,
Pequenas imagens girando na minha cabeça,
Improváveis de acontecer um dia.
Os desejos que arranham,
O coração calado, quebrado, fragilizado,
Mal conseguiu dormir.
Pensamentos sombrios que rondam,
Um futuro sem amanhã,
De uma pessoa como eu,
Que analisa o que não pode se ver,
É reprovada em sua maneira de viver.
Agora aguenta,
A mulher com o espírito de menina,
Que vê a alma envelhecer solitária,
Ansiando por companhia.
Suporta!
Engole o choro, e aceita o que não te pertence,
Diga adeus, não olhe para trás.
Nada te espera lá.
Não há nada para você.
Aquele coração é dono de si mesmo.
E tem outra pessoa como morada.
Não existe nada nesse mundo que possa mudar isso,
Nem mesmo vontade,
Nem mesmo trabalho.
Há apenas a distância,
Que os quilômetros separam,
Que os olhos não creem.
Aceita,
Que certas pessoas como você,
Foram feitas para não pertencerem a ninguém,
E permanecerão assim... Incompletas.
Por toda vida.

Kelly Christine

14 de dez. de 2015

Nem tudo funciona como queremos...

A gente nunca escolhe se machucar.
Mas vem a realidade, mostrando que somos feitos de vidro, e machuca.
Nem tudo funciona como queremos.
A gente nunca escolhe estar só.
Mas vem a circunstância, mostrando que não se pode escolher, solidão.
Nem tudo funciona como queremos.
A gente nunca escolhe quem passa pela nossa vida.
Mas vem pessoas, desarrumando tudo, para depois partirem.
Nem tudo funciona como queremos.
A gente nunca escolhe quem amar,
Mas vem o destino, povoando teu coração de sentimentos, quebrados.
Nem tudo funciona como queremos.
A gente sempre escolhe o que sonhar.
Mas vem a realidade que machuca,
A circunstância que te isola,
As pessoas que se vão,
O destino que não ama,
E te mostra que não vale à pena sonhar.
Nem tudo funciona como queremos.
E dificilmente funcionará.

Kelly Christine



Todo mundo te magoará pelo menos uma vez na vida.

A questão é saber, por quem se está disposto a se machucar.

10 de dez. de 2015

Sempre pode piorar...

Para aqueles que questionam porque aquela pessoa “visualizou, mas não respondeu”.
Dos 377 contatos que estão falando com você ao mesmo tempo.
Saiba que existe alguém que gostaria que houvesse ao menos uma pessoa para conversar,
E o celular permanece calado, o dia todo, todos os dias.
Sempre pode piorar.

Para você que questiona porque aquela turma se destaca mais do que seus velhos amigos que fazem de tudo para estar ao seu lado.
Saiba que existem pessoas que queriam apenas uma chance de poder dividir com qualquer um, um pouco do peso que carregam na própria alma.
Sempre pode piorar.

Para aquela pessoa que acha ruim o namorado grudento, mandando mensagens a todo instante, e não deixa ela “respirar”.
Saiba que existe alguém que é obrigada a conviver com a mesma pessoa, que nada faz além de atender as próprias necessidades físicas.
Sempre pode piorar.

Para aqueles que reclamam que trabalham em um lugar ruim, e o seu salário não é compatível com o que merece ganhar.
Saiba que existem pessoas que trabalham 10 horas por dia, com 3 ou 4 funções a mais, ganhando o suficiente para pagar uma única conta, aguentando humilhações e não tendo nenhum reconhecimento.
Sempre pode piorar.

Para você que não consegue decidir se hoje vai sair com o João, ou se vai ficar com o Pedro.
Saiba que existe alguém que lutaria tão fortemente em nome do coração de alguém, que transpassaria as próprias forças para poder conquista-lo para sempre.
Sempre pode piorar.

Para você, que não aguenta mais essa família, toda essa gente chata falando ao mesmo tempo em volta da mesa, trocando informações inúteis e atrapalhando seu raciocínio.
Saiba que existem pessoas que fazem as suas refeições em silêncio, olhando para a mesa vazia em volta.
Sempre pode piorar.

Pra você, que acha divertido ferir os sentimentos das pessoas para ver como elas reagem.
Saiba que existe alguém ferido, que ainda tem esperança que as coisas podem mudar.
Sempre pode piorar.

Para você que acha que não tem atenção o suficiente, apesar de amigos, familiares, colegas de trabalho, sempre estarem te solicitando ou convidando para algo.
Saiba que existe eu, que pareço estar invisível a todos os que estão à minha volta.

Sempre pode piorar.



Kelly Christine.

9 de dez. de 2015

Somente um dia...

Um dia, prometi a mim mesma,
Que nunca mais deixaria alguém contemplar a beleza,
Do que escondia atrás dos meus muros.
Um dia, em meio ao desespero,
Fechei a minha alma com zelo,
Mantendo os olhos abertos no escuro.
Um dia, vi tudo o que conquistei,
E nunca foi conquistado,
Tudo o que eu amei,
E jamais me foi amado,
Tudo que era meu,
Mas nunca me pertenceu.
Um dia, disse que tinha desistido da vida,
Percorreria meus dias solitários a procura da saída,
De um labirinto que não tinha mais fim.
Olhava para um horizonte sem perspectiva,
As mãos sentiam as profundas feridas,
Do nada que havia se instaurado em mim.
Um dia, tentei juntar em vão,
Os pedaços marcados, de um mesmo coração,
Restos de muitos que passaram e nenhum que permaneceu.
Um dia, somente um dia,
Eu me olhava no espelho e não entendia,
O que errado tinha comigo,
Para merecer tão árduo castigo.
Um dia, como num sonho eu respirei,
Das lembranças que em meu peito guardei,
Deixavam então de me machucar.
E no meio da noite, eu acordei,
Aos prantos, um soluço calei,
Era mais um sonho, prestes a acabar.
Um dia, somente por um dia,
Eu queria poder abraçar,
Numa noite estrelada e fria,
Dois pares de braços a se aconchegar.
Um dia, abençoado e breve,
Estou eu aqui mais uma vez a rezar,
Em ver a brancura da neve,
No reflexo de um olhar.
Um dia, prometi a mim mesma,
Que nunca mais iria chorar,
Pela tão inocente pureza,
Que um sonho pode te dar,
Sabendo que nada era verdadeiro,
E que aquilo por muito não iria continuar,
Eu contemplava o sorriso derradeiro,
Que estava por acabar,
Um dia, somente por um dia,
Eu queria poder entregar,
Todos esses sentimentos que carrego em mim,
Para alguém partilhar.
E pensar que seria apenas um,
Dia desses assim,
Sonho acabou, eu levantei mais uma vez no cinza comum.
Fim.

Kelly Christine