14 de mar. de 2017

Guardei pra mim...

Guardei pra mim.
Aquela lágrima silenciosa que escorreu pela minha alma,
Quando a ansiedade da espera
Foi substituída pela decepção do encontro,
Quando o olhar que deveria ser doce, era recriminatório.
Guardei pra mim.
Todas as palavras que queria ter dito,
Todas as declarações doces que queria ter falado,
Todo o sentimento puro que queria ter demonstrado,
Guardei pra mim.
Pois eu gerei tantas expectativas sobre sonhos de papel,
Imaginei tantas coisas que nunca sairão de minha mente,
Realizei tantos feitos,
Que deixariam qualquer conto de fadas a desejar,
E tudo isso... Guardei pra mim.
Pois vaguei a vida inteira de coração em coração,
Procurando por morada,
Encontrando decepção,
Até pensar que finalmente o porto seguro tinha surgido no horizonte...
Mais uma vez, ilusão.
Guardei pra mim,
Continuo pisando em ovos para poder ser verdadeira,
Palavras mal interpretadas,
Destino sem eira nem beira,
Até quando terei que procurar?
Quando irá acabar, esse queira ou não queira,
Duas doses de paciência,
Uma tonelada de besteiras,
Guardei pra mim,
A vontade de estar dividindo,
Um futuro, um presente, um desejo,
O pedido e o ‘sim’,
Tudo aquilo de mais bonito,
Que imaginei assim,
Mais uma decepção quebrada,
Mais uma ilusão formada,
De um sonho que se dissipa,
Que eu guardei pra mim.


Kelly Christine

30 de jan. de 2017

Ainda é janeiro...

São tantas lembranças que eu queria apagar,
Isso porque ainda é janeiro,
O ano mal começou,
Minha esperança já terminou.
A vida é diferente do lado de cá.
A garota não consegue confiar integralmente,
Ama de coração, mas não se entrega inteiramente,
Alguns defeitos são impossíveis de reparar.
Eu pensava que estava bem,
Eu achando inocentemente que faria alguém feliz.
Só precisa de carinho, não é mesmo?
Só precisa de amor, de cuidado.
Ledo engano...
Ainda é janeiro e eu já me iludi.
Eu lutei tanto, e no fim, cheguei a lugar algum.
Ainda é janeiro e está lá,
A realidade que ninguém quer ver,
A verdade que ninguém quer notar.
O seu passado, no seu coração, ainda é presente.
Você só não quer admitir,
Que o que ainda toma conta da sua mente,
São memórias vividas longe daqui.
Eu me esforcei tanto,
Para ser o único motivo do seu sorriso,
Para ser a razão dos seus sonhos,
Para te conduzir ao paraíso.
Eu briguei, lutei, corri atrás,
Enfrentei os monstros mais cruéis em mim,
Em nome daquilo que eu achava que era amor,
E nunca teria fim.
Mas ainda é janeiro,
Olha só que ironia,
Em apenas 30 dias, dei a volta no mundo inteiro,
Para retornar a mesma agonia.
O que era pra ser profundo e leve,
Está se tornando doloroso e breve,
Sufocando as flores que cultivei,
Aqui estou, mais uma vez, a lutar em lágrimas,
Por alguém incapaz de demonstrar sentimentos além dos muros,
Preso às lembranças que te marcaram por toda vida.
E a minha ingenuidade me fez acreditar,
Que eu seria capaz de apagar,
Aquilo que te fez sofrer,
Então suas defesas me retribuíram o favor,
Com o mesmo tanto de dor,
De quem prefere morrer,
Depois que o coração se desfez.
E olha só, mais uma volta.
Ainda é janeiro,
E eu desistindo de tudo,
Mais uma vez.

Kelly Christine.


11 de jan. de 2017

"Pretinha..."

Algo não estava certo.
Eu não me sentia dali.
Estava desconectada, implantada em um lugar que não me pertencia.
Suportaria qualquer coisa por um sorriso seu,
Mas e se o preço fosse simplesmente deixar de ser eu?
O problema é quantos anos eu tenho,
A cor da minha pele,
A minha morada,
As posses que não possuo.
Não sou “classe média”.
Sou suburbana, periferia, com muito orgulho.
Choro sozinha, com vergonha de mim,
Nunca precisei fingir ser o que não sou,
Moro na favela,
Me orgulho da minha cor,
Meu caráter foi criado nas paredes de um quarto apertado,
Do conjunto habitacional,
Que você tem medo de estar.
Vejo as fotos,
E me sinto destonada,
Eu não combino com nada,
Por que estou aqui afinal?
Um silêncio cheio de lágrimas me invade,
Os únicos apelidos com carinho vêm relacionados ao negro,
Eu não ligo... ligo?
E o que eu sou se resume a isso?
O que eu sou pra você afinal?
Qual a importância da mãe solteira,
Parda,
Pobre,
Sem ensino superior,
Moradora da favela?
É isso que você vê?
É isso que os outros vêm?


Kelly Christine



27 de dez. de 2016

Eu lembrei de você hoje...

Eu lembrei de você hoje.
Vi o rosto de um menino na piscina que estava, vermelho queimado de sol, tão branquinho quanto você.
Eu lembrei de você hoje.
Contei para meu filho todas as vezes que você me fez rir, e quando segurava minha mão para impedir que o meu mundo caísse.
Eu lembrei de você hoje.
Quando passei por aquela rua e apontei para a cobertura do prédio mais alto, eu lembrei: ah, eu já mostrei isso pra ele.
Eu lembrei de você hoje.
Lembrei de todas as vezes que andamos juntos, rimos juntos e choramos juntos.
Eu lembrei de você hoje e centenas de lembranças vieram à tona.
As caminhadas intermináveis com um assunto que não acabava mais.
As reclamações de tudo, com tudo e para tudo.
As longas conversas durante a madrugada.
Eu lembrei de você hoje.
Todas as pequenas e singelas coisas que eu tentei te mostrar, que você não conhecia e eu nunca saberei o porquê já que eu mesma não entendia isso.
Eu lembrei de você.
De todas as vezes que eu briguei, esperneei e chantageei para te mostrar que outro caminho era possível,
Que aqueles problemas tinham solução,
Que não se podia desistir nunca.
Até perceber... que nada mudaria.
Eu lembrei de você hoje,
E que saudade doída se abateu em mim,
Uma saudade sem fim, um choro em silêncio.
Não adiantava mais insistir, pois existem pensamentos que precisam ser provados, não discursados. E isso, você não entendia.
Eu lembrei de você hoje.
Em meio a um ano cheio de catástrofes e amarguras, você ocupou um dos lugares mais bonitos em mim. E eu pensei, até então, que seria pra ficar.
Eu lembrei de você hoje.
Mas o preço que eu pedi pelo meu coração era caro demais pra você pagar.
As caminhadas sessaram,
As palavras mutaram,
O assunto morreu.
E o lema de ‘não desistir’ se perdeu.
Eu lembrei de você hoje.
Fiz uma oração baixinho, disse seu nome, agradeci.
Aquelas coisas bonitas ninguém pode me tirar.
Eu lembrei de você hoje,
Apesar das feridas, das cicatrizes, da dor, eu precisava ter lembrado.
Não acreditava mais em mim,
Achava que eu tinha traído, achou que eu tinha mudado.
Eu lembrei de você hoje.
Em silêncio corre pelo meu rosto a lágrima do adeus,
Não fui preparada pra isso, fui obrigada a aprender.
Eu lembrei de você hoje.
As palavras duras ditas com ódio, numa conversa cheia de ressalvas,
Nada explicado, nada resolvido.
Ao contrário de mim, você não me precisa,
Seguiu seu caminho com suas escolhas, e me amaldiçoou:
Não precisei lembrar de você hoje,
Já que não pude te esquecer...


Kelly Christine


22 de dez. de 2016

Deixe Ir...

Deixa eu aqui te contar,
Em meio a uma dor insuportável,
Tão pesada de aguentar,
Preciso dizer adeus.
E quantas vezes eu olhei ali, meio de lado,
Escondido, lá no canto,
Meu Deus, apara o pranto,
De quem mal sustenta essa melancolia,
Acaba logo esse dia,
Acaba logo, me deixa repousar,
Preciso parar de pensar.
Você nunca me pertenceu,
E, no entanto, como explicar para o meu coração,
Aos berros, bate no meu peito,
A saudade que fica,
A pessoa que vai.
E quem sou eu para disputar com as asas que o destino te deu?
Quem sou eu, pobre mortal,
Mais um ser humano igual,
Uma face na multidão,
Ah, acaba logo com isso, coração!
Chega de se apegar,
Sua função sempre foi outra,
Não se cansa de quebrar?
De se fortalecer no silêncio... pra depois se fragilizar?
Anda logo com isso,
Já somos íntimos do precipício,
Chega de confiar no destino,
Chega de fingir que é um menino,
E que tudo lhe é permitido.
Deixe-o partir,
Deixe as portas abertas, de par em par,
Sem remorsos, sem olhar pra trás,
Deixe ir,
Apenas mantenha a fé,
De que você fez o seu melhor,
Fique de pé,
O chão já nos conhece,
Em silêncio, mais uma prece.
Que seja feliz em sua nova jornada,
Sentirei falta de nossas conversas na madrugada,
Mas todo pássaro foi feito pra voar,
Eu sei, é impossível não chorar,
Mas o destino quis assim.
Você precisa partir,
Com o coração aos pedaços, escuto minha mente dizendo:
Deixe ir.

Kelly Christine.



17 de dez. de 2016

De todos os sorrisos...

De todos os sorrisos desse mundo,
Por que fui escolher justamente o seu?
De todos os abraços que queria em volta de mim,
Por que logo o seu?
Para que viver mais uma mentira,
Para que acreditar?
Distante, tão alto, sonhando acordada,
Cair... e não levantar.
Eu evitei com todas as forças que pude,
Expor o meu coração,
Pequeno, triste a miúde,
Escondi em vão.
As pilhas de livros num canto qualquer,
Revelam os sonhos do coração de uma menina,
Preso no corpo de uma mulher,
Que aos poucos, se acaba e definha.
Em silêncio como sempre,
De repente, por muito tempo segurei,
Não deu mais,
A lágrima escorre teimosa pelo rosto,
Muitas outras vem atrás.
E o choro contido de quem foi forte enquanto deu,
Lutou, sangrou, caiu e perdeu,
A batalha de um coração remendado,
Ferido, aos pedaços e sempre deixado de lado,
O sorriso de quem, calada, engole uma vez mais,
A tristeza de ser deixada pra trás.
Então, meu amigo, boa sorte,
Só o melhor eu te desejarei,
Que a vida te mantenha forte,
E deixe as flores que no teu caminho depositei,
Que todos te tratem bem,
Que cuidem de ti, como eu cuidei.
Só não esqueça de uma coisa:
Fiz o melhor que pude,
E dei o melhor de mim, 
Para conhecer por tuas mãos,
O meu fim.
Choro agora ao me lembrar,
De todas as coisas, simples, que eu pude te mostrar.
Mas a vida é mesmo assim,
A realidade vem, e te avisa:
Você é mais uma qualquer,
Não tem nenhuma importância,
Uma única diferença sequer.
Encara as coisas de frente,
É o que precisa fazer, não o que você quer,
Olhando pela janela,
Não quero aceitar,
Que essa face verdadeira,
É a que deveria reinar,
Um pranto que não pára,
Um grito que se cala,
Lembra ao meu coração, que escuto ruir:
Entre os meus dedos escorre a dor,
Felicidade já não sei.
De todos os sorrisos que conheci,
O seu foi o que eu mais amei.


Kelly Christine

8 de dez. de 2016

Lei do Retorno...

Essa é a parte mais engraçada de uma vida que eu não entendo...
Sabe, quando eu era uma bela vadia, que não me importava com os sentimentos alheios, não me machucava tanto.
Viver parecia mais fácil.
Respirar era mais fácil.
Hoje, os anos passaram.
Sinto o peso da velha experiência que te torna uma pessoa mais frágil, mais suscetível.
Te olho no fundo dos olhos.
Sei quando mente pra mim.
Antes, era tudo mais fácil.
Eu enfraqueci.
Antes, você era jovem, e todo o seu mundo se resumia as nossas caminhadas.
Hoje, eu te vejo mentir... tão descaradamente,
Não vou fazer nada,
Eu enfraqueci.
Cada estúpido desejo meu era realizado como se uma rainha comandasse o seu feudo.
Hoje, um simples pedido, meu Deus, quanto trabalho...
Quanto vai custar?
Quanto trabalho vai te dar?
E se chover?
E se não chover?
E se?
Pra quê?
O tempo passou,
A beleza nunca me pertenceu, o pouco que tinha minguou,
Os cabelos embranqueceram,
Os olhos fundos de quem pouco dormiu, pouco viveu e muito lutou,
Tem uma sombra permanente sob o olhar.
Eu enfraqueci.
Eu só queria ver as luzes de Natal.
Não era tão difícil assim.
Ou era?
Aí a gente conclui,
Quando eu era aquela bela vadia, todos se ajoelhavam aos meus pés.
Hoje, nem eu mesma de joelhos tenho pequenos pedidos atendidos.
Eu enfraqueci.
Bem feito pra mim,
Para eu aprender,
Que a lei do retorno é mais forte que tudo,
Mais forte que eu,
Mais cruel que você.

Kelly Christine.