19 de nov. de 2012

Trust I Seek...


É tão difícil.
Sentir que foi deixada pra trás.
Perceber que nunca as pessoas vão fazer por você o que você faz por elas.
Ser trocada, ou melhor, não ser escolhida.
Não ser prioridade na vida de ninguém,
Não significar nada.
Ser passatempo, hobby, lazer. Nada mais.
Dizem sempre da importância.
Fazem exatamente o oposto.
Palavras, que o vento leva,
E o tempo mostra que eram vazias,
Como as promessas quebradas
E os sonhos despedaçados.
Mentiras,
Omissões.
Por fim, nada disso tem importância.
Eu continuei no mesmo lugar,
A confiança que eu tanto procurei,
Eu me iludi
E não achei.
Nada mais importa.

Kelly Christine

14 de nov. de 2012

60 Minutos.


Mais um dia.
Eu cheguei em casa, e mal tive tempo de fechar a porta. A inquisição chegou e me encheu de perguntas, de acusações. E eu tão cansada de tudo isso, de estar aqui, dela, dessa vida que eu levo.

- Sua velha! O que você pensa que você é? Conversando com molecada no corredor, se sentindo adolescente? Sempre tem um ‘step’ né? É isso que você quer sua vadia desavergonhada!  Vou falar tudo para o seu pai!

Eu olhava incrédula. O inferno todo porque dois amigos meus conversavam na porta do apartamento. Digo, submundo. Jamais convidaria eles pra entrar, sabia que se fizesse isso, estaria os condenando ao inferno ou a minha vergonha de vê-los expulsos por aquele ser, tão mesquinho, tão estupido. Dois amigos. Imagina se eu chamasse umas dez pessoas diferentes e enfiasse todo mundo dentro de casa. Imagine se fossem dois traficantes da região que me abasteciam de dinheiro e ‘poeira’. Não. Duas pessoas tão trabalhadoras quanto eu. Mas aqui, o único caráter que se julga é o meu. Aliás, me parece que eu não tenho caráter pra julgar.
Eu parei de ficar obcecada pelo computador. Parei de simplesmente sair de casa, para o trabalho e do trabalho para casa. Eu queria conviver com pessoas, falar com elas, rir com elas, ter algo que eu jamais conseguiria em casa. Aqui eu não tenho nada. Aqui eu sou nada.
Mudei minha rotina. Anos a fio fazendo exatamente as mesmas coisas, passei a chegar exatos 60 minutos depois do horário que eu costumava chegar todos os dias. Foram os 60 minutos mais caros da minha existência...
Quando estava no computador: eu era a ‘adolescente’ pensando que a vida se resumia a pc, pc, pc. Não podia conversar com ninguém, não podia jogar com ninguém. Nada. Vi minhas redes sociais sendo vasculhadas e todo o meu momento de desabafo, já que eu me isolava cada vez mais, sendo usado contra mim, em várias discussões. Estava à beira de um colapso, quando eu mesma dei um basta. E fui procurar o que me fazia bem, quase que sem querer.
Encontrei refúgio nos meus colegas de trabalho. Pessoas que eu passo a maior parte do dia, a maior parte da semana. Se meu erro era o computador, se era a capoeira que ela sempre condenou, agora estava sendo os benditos dias de trabalho.
Eu não via alguém diferente falando comigo nos corredores do sufocante prédio há mais de 05 anos. Mesmo assim já foi motivo suficiente para me acusar como se as pessoas viessem me visitar todos os dias. Dificilmente viriam. Dificilmente eu repetirei a experiência.  Melhor ficar pela rua, convivendo com uma série de estranhos já que ela não faz questão nenhuma de conhecer com quem eu convivo.
Mas eu não posso ficar no computador. Não posso trazer ninguém aqui. Não posso ir na casa de ninguém. Que diabos eu faço então? Simples: Eu tenho que ser a mãe dedicada que se anula, se omite, não tem sonhos, não tem espírito, não tem alma. É doutrinada a lavar, passar, cozinhar, arrumar, cuidar de uma casa que não é minha e ser submissa a qualquer cara que pague minhas contas e livre minha presença dos olhos dela. Eu tenho que ser um corpo apenas. Não tenho mais idade pra ter vida. Não tenho recursos pra ter vida. Não tenho direito de ter vida.
Vejo os anos passarem e nada muda. Tanta gente entrou e saiu da minha vida, e nada mudou. Tantos empregos, nenhum trabalho. Nunca tive condições financeiras de me manter sozinha em algum lugar. Com um filho pra criar, a coisa se tornou duas vezes precária. E a minha fé no futuro diminuindo a cada instante...
E ela continua seu discurso cheio de razão e dona absoluta da verdade. Eu permaneço em silêncio. Vou ao quarto, exijo do meu filho que me deixe sozinha.  Quero ter pelo menos o direito de eu mesma segurar minhas lágrimas, únicas coisas livres em mim. Quero chorar, quero gritar, quero soluçar, quero destruir cada muro que ela tenta construir em volta de mim para me matar. Quero minha liberdade. Milhares de gritos que escorrem pela minha face em silêncio...
Sem felicidade.
Sem alegria.
Sem sorrisos.
Sem respeito.
Sem sonhos.
Sem vida.
Vazia.
Uma simples visita, apenas uma passada de alguém que veio pela primeira vez a casa que eu sou obrigada a me abrigar, custou as lágrimas de quem chora calada. Sem chances. Sem opções.
E o mundo irá mudar? Não. Para o mundo mudar, é necessário que as pessoas mudem.
Ela não vai mudar, porque não quer.
Eu não vou mudar, porque não posso.
Fé... Não me abandone agora. Os sonhos se despedaçaram por inteiro e a esperança sumiu por completo.
60 minutos. Uma hora.
Esse é o preço do meu caráter.
Então realmente eu estou valendo muito pouco.

Kelly Christine

13 de nov. de 2012

O ciclo se repete...


Me ensinaram a algum tempo atrás que não devemos nunca colocar o orgulho entre nós e o que queremos. Eu procurei a minha vida toda fazer isso, em vão. Eu procurei passar isso para todos que conviviam comigo, também em vão. Sempre o orgulho vence, por melhores que sejam as nossas intenções.
Tão mais fácil agredir verbalmente quem não tem interesse nenhum, a não ser o seu bem estar. Tão mais fácil ser cruel com quem não retruca, não revida, não rebate argumentos. Sempre mais fácil.
A gente se decepciona, se cala, mas permanece ali. Um comparativo simples – como um cão que apanhou sem pudores do próprio dono. Ele permanece fiel a ele, mas toda a vez que o dono se aproximar, ele recuará com medo, não sabendo diferenciar o que será um carinho e o que será uma agressão. Coração estúpido.
A gente se dedica as pessoas. Confia nelas, entrega o coração. Pra quê? A troco de quê? Para ser maltratado mais uma vez, para se entristecer mais uma vez.

A gente faz e refaz, se contorce. Faz de tudo um repente.
Depois de tantas lágrimas e choros, faz tudo de novo.
Acreditando que será diferente.
Mas nunca é, e nem nunca será.
Vida, um preço alto que se tem a pagar.
Ver os sonhos despedaçando nas mãos da principal pessoa, do motivo deles acontecerem,
Ver mais uma vez tantas esperanças se perderem.
Não sei onde me levará esse caminho, tão cheio de marcas,
Não responsabilizarei o destino, já que ele não retruca e nem fala.
Assim me disseram, uma pessoa que se anula e a outra que se cala.
Não posso pedir para o sol não brilhar, e nem a lua desaparecer,
Não posso pedir para alguém se tornar o que não quer ser,
Então mais uma vez, observo em silêncio meus sentimentos se consumindo,
Todos os meus mais profundos desejos sumindo,
Infelizmente, não é só lamentar,
É querer mudar o que foi escrito, e ser obrigada a se conformar.
Pois quem precisava da mudança, não tem interesse em mudar,
Vê tudo da maneira mais confortável, tem a vontade mas lhe falta a coragem,
De embarcar de cabeça em uma longa e difícil viagem
Em direção ao que acredita,
Uma chance de fazer a própria vida mais bonita,
Mas não, melhor deixar as coisas como estão,
Melhor dar razão à razão.
Do que acreditar em alguém que simplesmente falou com o seu olhar mais sincero,
“Sua felicidade é a única coisa que eu realmente quero”.

Kelly Christine

8 de nov. de 2012

Arranhão...


Eu explico, e você não entende.
Eu suplico ajuda com o olhar, e recebo o silêncio como resposta.
Não me diz nada além do que eu já sabia. Nenhuma palavra que eu preciso é dita.
E quando eu alerto, entende como uma cobrança, e cobrança não é amor.
???
Eu me vi por várias e insistentes vezes tentando dar o meu melhor. Mesmo quando todo o meu mundo desabava sobre mim, eu larguei os meus pedaços ao chão para poder sustentar o seu. Esperar por algo semelhante? Sim, todos esperamos que as pessoas façam por nós o que fazemos por elas. Doce ilusão...
 E em tempos difíceis como os de agora, me vejo cercada de muitos problemas, poucas soluções, nenhum apoio. O que esperar? O que dizer?
Cadê o abraço sem perguntas? Onde está o olhar que diz: nada importa do que acontecer, eu vou permanecer ao seu lado? Onde ficou o sorriso que dá forças, em meio às lágrimas que nada ganharam além do chão que caíram?
Isso são cobranças. Isso é comparar uma pessoa a outra. Pelo menos, é o que parece ser.
Não pra mim.
E eu continuo com a mesma agonia de quem não tem com quem conversar.
Minha companhia: o silêncio.
E mesmo me mantendo calada, ainda acham que eu estou errada.
Sempre errada, sempre desistindo sem lutar. Será mesmo?
Não acredito nisso. Não acredito que as pessoas se iludam tão facilmente com o que vêem e esquecem por completo do que sabem.
Diz que eu não busco soluções para os meus problemas/erros. Então, se EU preciso fazer isso, estou mais uma vez sozinha no processo. Eu não peço ajuda – sou soberba comparativa. Eu peço ajuda – sou mal compreendida. Mas que diabos, devo fazer afinal?
Quando as folhas caem, o vento gela, tudo fica cinza, o outono está se iniciando. Tempos difíceis, colheitas secas, sol mirrado. Quando as primeiras flores surgem, e o perfume do orvalho é ressaltado, sabemos que os tempos de cor e aromas coloridos se iniciam. Venho me perguntando: até quando será outono na minha vida? Sabe, eu venho aguentando tudo até onde posso, toda a sobrecarga que tem se depositado nas minhas costas, sem reclamar, sem questionar, com lágrimas nos olhos. E quando eu digo: não suporto mais, o que recebo. O julgamento das pessoas dizendo tudo o que sabem, não sabem e imaginam de mim?
Eu posso ter me enganado com muitas coisas nessa vida. Me iludi com as pessoas, confiei demais nelas, gerei expectativas. Mesmo tão decepcionada por tantas experiências ruins, nunca deixei de apoiar e ajudar quem precisou de mim, quem gritou por socorro. O que levamos desse mundo é somente isso: o que seremos para as pessoas, não o que obtivemos delas. E eu prefiro ser alguém para ser lembrado como um apoio fundamental em um momento difícil, do que ser alguém empoeirando um porta-retratos em uma estante, presa em uma memória boa que nunca será repetida.
Queria sim. Queria que as pessoas fizessem por mim o que eu faço por elas. Mas eu só queria. O maior erro é pedir isso.
Descobri isso hoje. Da pior maneira possível.
A confiança inquestionável... Tem o seu primeiro arranhão.
Nunca doeu tanto levar um simples arranhão.
Vida minha... Leve embora toda essa dor que carrego comigo, para não afetar mais as pessoas que amo.
Ou me afogue de vez em meio dela.

Kelly Christine.

31 de out. de 2012

Aprender...


Aprendi,
O valor de um sorriso inesperado,
A importância dos dedos entrelaçados,
A magia do beijo exagerado,
Que encontrei.
Quantos presentes sem pretensão,
Quantas palavras sem nenhuma função
Quando simplesmente o silêncio explica tudo.
O silêncio do olhar trocado,
Do abraço apertado
De tantas e tantas caminhadas só com a lua como testemunha.
O amor tem nome,
E olhos brilhantes que me encantam,
E atitudes que me espantam
Diante do respeito e da maturidade que tudo decidem.
Hoje, eu me pergunto, de tantas coisas que me incomodam,
Nada mais importa,
Eu encontrei a confiança que procurava em você,
A letra da música assim me dizia,
Desenhava sua imagem assim que eu a ouvia
E como eram doces as lembranças tão reais,
Dois corações que batiam tão iguais,
Desejando trilhar o mesmo caminho,
Sem medo das pedras, sem temor aos espinhos,
Confiando nas mãos entrelaçadas,
Eu podia enfrentar o mundo inteiro
Se tivesse você ao meu lado, de mãos dadas.

Kelly Christine

29 de out. de 2012

Minhas Músicas Preciosas...[19]


E lá vamos nós a parte da escuridão que me refugio,
A parte que ninguém quer ir, mas todos querem sua segurança.
Quando você desiste dos sonhos, não espera nada do futuro, não se ilude com o passado, não se importa com o presente.
Se sente pouco a pouco despedaçando, se desfazendo, sumindo.
Minhas músicas preciosas desse mês, incorpora o espirito do Halloween, e desiste de tudo.
Encara o destino com a coragem de quem não tem escolha. Mas há escolhas?
Nada a ser a não ser você mesma. Nada a fazer a não ser ir onde ninguém quer mais ir, e ficar onde ninguém sobrevive.

25 de out. de 2012

Meu Pequeno Mundo...


O meu pequeno mundo com ambições tão pequenas. Se torna tão insignificante perto do seu mundo de sonhos colossais, monárquicos, medievais. Comparando os dois, sou uma pequena lebre, perto de uma legião de cavaleiros de armaduras pesadas e brilhantes. Não. Não há como comparar.
Eu me conformei em viver desta forma. Não foi uma escolha. Vi os sonhos despedaçados um a um, sem poder sequer lutar por eles. Vi minhas esperanças dilaceradas, e tudo o que eu queria pra mim se partir. Agora, encaro todos os dias a pessoa de grandes sonhos, de grandes ambições e um sucesso dado como certo. Tão diferente de mim.
Vivemos em mundos diferentes. Temos muitas coisas em comum, mas os sonhos com certeza é que não são. Torço fervorosamente pelo seu sucesso, mas o que é uma pequena pedra sem vida, perto de uma grande estrela brilhante?
Aos poucos, vejo até minhas pequenas ambições se apagando. Pouco a pouco, sumindo. E vejo você cada vez mais ambicioso pelos desejos que te movimentam desde sempre. Seria a prévia de um adeus? O aviso pra eu seguir meu caminho sem luz e não deixar a minha feiura escurecer seu caminho cheio de brilho? Um futuro promissor te espera. A vida inteira te espera. A mesma vida que passou por mim, e fez questão de ressaltar que não ficaria. Hora de partir.
Eu te ensinei como trilhar o teu caminho através do amor. Ensinei como seguir em frente, precisando apenas acreditar no seu sonho e jamais desistir sem luta. Eu te mostrei como o amor age na vida das pessoas, e como ele é capaz de mudar sua vida se escutar seu coração. Te ensinei tudo o que precisava saber para continuar acreditando no caminho, por mais que o mundo inteiro te mostrasse que não seria possível. Não precisa mais de um guia. A coragem você tem de sobra cavaleiro, e o conhecimento também. Não precisa mais de mim.
Está na hora de eu tomar o meu caminho de pedras e espinhos, sozinha. Não é a jornada que eu escolhi. Não são mais os sonhos que me movimentam, nada que me prenda ou me guie. Apenas a necessidade de que tudo acabe logo, e eu possa voltar a sonhar mais uma vez.
E eu continuarei até tudo acabar. Torcendo para o grande príncipe guerreiro seja vitorioso  em sua jornada. Nunca se esqueça para onde vai.
Já que o orgulho e a ambição jamais deixarão ele se lembrar da onde veio.

Kelly Christine